Ad image

Fim da “taxa das blusinhas” reacende disputa entre comércio nacional e importações

Fecomércio-DF alerta para risco de desemprego, perda de competitividade e impacto sobre pequenos negócios brasileiros

Giza Soares
Por Giza Soares 3 Min Leitura
3 Min Leitura
A medida reacendeu o debate sobre os impactos das compras internacionais no comércio brasileiroIA
Ouça o post

A decisão do governo federal de zerar o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50 voltou a acirrar o debate entre incentivo ao consumo popular e proteção ao comércio nacional. A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está em vigor e elimina a cobrança federal sobre produtos adquiridos em plataformas estrangeiras dentro do programa Remessa Conforme. A tributação estadual do ICMS, no entanto, permanece em 20%.

O anúncio, comemorado por consumidores que utilizam sites internacionais para compras de baixo valor, gerou forte reação de representantes do varejo e da indústria brasileira. No Distrito Federal, o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, afirmou que a medida ameaça diretamente o comércio nacional, principalmente pequenos lojistas que já enfrentam alta carga tributária, custos operacionais elevados e concorrência desigual com plataformas estrangeiras.

Segundo o dirigente, o varejo brasileiro continua submetido a uma estrutura pesada de impostos, encargos trabalhistas e despesas fixas, enquanto empresas internacionais conseguem operar com custos muito menores. Para ele, a nova medida pode ampliar ainda mais a perda de competitividade do setor nacional.

A preocupação também alcança entidades industriais. Representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e de federações empresariais alertam para possíveis impactos na geração de empregos, especialmente nos segmentos têxtil, de vestuário e pequenos comércios que dependem diretamente da venda de produtos de baixo custo.

Disputa econômica

O Governo Federal defende que a medida beneficia principalmente consumidores de baixa renda, que utilizam plataformas internacionais para adquirir produtos considerados essenciais no dia a dia. O Ministério da Fazenda argumenta ainda que o setor passou por maior regularização após o combate ao contrabando e a implementação do programa Remessa Conforme.

Mesmo assim, o tema promete gerar novos embates no Congresso Nacional. A medida provisória precisará ser analisada pelos parlamentares em até 120 dias para continuar valendo. Nos bastidores, representantes do varejo articulam pressão para rever o texto e tentar reequilibrar a concorrência entre empresas brasileiras e gigantes internacionais do comércio eletrônico.

Compartilhe esse Artigo
Deixe sua opnião
Verified by MonsterInsights