O eleito presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chorou ao falar sobre a fome e pediu respeito à democracia, ontem (10), em seu discurso em Brasília no CCBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), sede do gabinete de transição.

Lula diz: “A democracia voltou com os braços abertos, para dar a cada um de nós a sensação, o prazer e a felicidade de que seremos capazes de recuperar a civilidade nesse país”, declarou, em sua primeira visita à equipe de transição no local.
Pediu para aqueles que estão clamando por um golpe militar, que são os apoiadores de Bolsonaro, que estão em frente de quartéis, voltem para suas casas. “Eles não sabem nem o que pedem, mas estão pedindo. Se eu pudesse dizer algo para essas pessoas, [eu diria] voltem para casa. Democracia é isso, um ganha e outro perde. (…) Eu não peço para ninguém gostar de mim. Eu só peço para as pessoas respeitem o resultado eleitoral, porque nós vencemos as eleições e vamos recuperar esse país”, afirmou Lula.
Ao falar da fome no Brasil, Lula se emocionou, disse ser um compromisso seu “Se quando eu terminar esse mandato cada brasileiro estiver tomando café, almoçando e jantando outra vez, eu terei cumprido a missão da minha vida”, afirmou, enxugando suas lágrimas.
E continua, “Qual é a regra de ouro deste país”? É garantir que nenhuma criança vá dormir sem tomar um copo de leite e acorde sem ter um pão com manteiga para comer todo dia. Essa é a nossa regra de ouro”.
Pacificação com o Judiciário.
A sua ida a Brasília é também para pacificar a relação com as instituições, dentre elas, Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, “Vim aqui para visitar as instituições brasileiras e dizer o seguinte: a partir de agora, vocês vão ter paz, porque não vão ter um presidente desaforado querendo intervir na Suprema Corte, na Justiça Eleitoral”, declarou.
O petista criticou o adversário, o governo de Jair Bolsonaro (PL), que, foi marcado pelos atritos com o Judiciário, dizendo que ele tem uma dívida com o povo brasileiro. “Agora que chegou ao fim, ele ainda não reconheceu a derrota. Seria tão fácil fazer como Alckmin, quando disputou comigo, como eu fiz duas vezes com FHC”, disse Lula. O presidente Bolsonaro tem uma dívida com o povo brasileiro: peça desculpas pela quantidade de mentiras, que, foram contadas nessa eleição e por duvidar da urna eletrônica”Lula, presidente eleito
“O presidente Bolsonaro tem uma dívida com o povo brasileiro: peça desculpas pela quantidade de mentiras, que, foram contadas nessa eleição e por duvidar da urna eletrônica”. Relata ainda que a transição fará uma “ressonância magnética” da conjuntura que por isso a transição não decidirá nada. “A partir dessa situação, vamos discutir e tomar algumas decisões para começar o processo de mudança desse país”.
Sobre o relatório dos militares. Lula classificou o evento como “humilhante e deplorável”. “O que aconteceu foi humilhante, deplorável para as nossas Forças Armadas. O presidente da República não tinha o direito de envolver as Forças Armadas a fazer uma comissão para investigar urnas eletrônicas”, disse Lula.
Declarou também que vice não é ministro. O papel de Alckmin na transição e de coordenar por não concorrer a cargo de ministro. “Ele não disputa vaga de ministro porque ele é vice-presidente da República. Qualquer outro que eu colocar ‘ah, esse cara é coordenador e vai ser ministro'”, disse.
Reunião com partidos
Ontem, às 09h30, no CCBB, em Brasília, Lula reuniu líderes de 14. Estiveram presentes e deputados federais e senadores do PT e dos partidos aliados no parlamento. Às 11h, o público presente se reuniu no auditório do CCBB para ouvir Lula, Geraldo Alckmin (PSB) e Gleisi Hoffmann (PT).
Sendo essa a primeira reunião de Lula desse porte desde o resultado das eleições, o evento foi aberto e acompanhado pela imprensa.

Os convidados entenderam o convite como uma forma da dar início ao diálogo entre o governo eleito e o parlamento.
Sobre a PEC, a equipe de transição busca a possibilidade no orçamento para o auxílio de R$ 600 para o ano, um tema bem comentado nas conversas das autoridades. Hoje, a equipe econômica de Lula deve finalizar uma primeira versão da minuta do texto, que deve ser apresentada ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) nesta tarde.
O Senador Marcelo Castro (MDB-PI) relator da Comissão Mista de Orçamento do Congresso (CMO), afirmou que o texto começará a tramitar pelo Senado, pois há um clima político mais favorável para que a proposta ande com mais “celeridade”. Posteriormente, será encaminhado à Câmara, onde já há proposição semelhante.
A equipe espera que o assunto vá direto ao plenário da Câmara e pule etapas de discussão nas comissões. Para que isso ocorra com velocidade, no entanto, ainda há negociações em curso com o intuito de que parlamentos e membros do governo de transição cheguem a consenso em relação a temas como o Bolsa Família, ações na área de saúde, entre outros.
O relator da CMP, explicou que, conforme as conversas iniciais, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) deve retirar o Bolsa Família do teto de gastos, assim como outras políticas públicas consideradas relevantes na visão do novo governo.
“O que foi acertado na conversa que nós tivemos é que viria uma PEC para excepcionalizar o teto de gastos, o Bolsa Família, o adicional de R$ 150 para crianças até 6 anos. Isso dá R$ 70 bilhões. Teriam que recompor o orçamento da saúde, com a Farmácia Popular, saúde Indígena, remédio para vacina, dentre outros. Isso daria no mínimo outros R$ 15 bilhões.”



