Moradores do Distrito Federal enfrentam uma longa espera para conseguir atendimento psicológico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Dados do Mapa Social do DF mostram que o tempo médio entre a solicitação e a primeira consulta chega a 952 dias, equivalente a mais de dois anos e sete meses.
O cenário reflete a dificuldade estrutural da rede pública em atender a demanda por saúde mental. Atualmente, existem 7.156 solicitações de acompanhamento psicológico registradas, mas apenas 18% delas estão sendo atendidas, segundo o painel.
De acordo com informações do portal Infosaúde, da própria Secretaria de Saúde do Distrito Federal, a rede pública dispõe de apenas 286 psicólogos para atender mais de 2 milhões de moradores sem plano de saúde. Na prática, isso representa cerca de um profissional para cada 7 mil pessoas.
Déficit de profissionais e impacto na população
Psicólogo e professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Pedro Costa avalia que o número de profissionais na rede está muito abaixo do necessário.
Segundo ele, a baixa presença de psicólogos no SUS-DF gera um cenário de desassistência e amplia o tempo de espera para quem precisa de acompanhamento psicológico ou psicossocial.
O número é absurdamente baixo. Temos cerca de 10% da categoria profissional de psicólogos atuando no SUS-DF, afirmou.
Ainda conforme o especialista, a população mais afetada é justamente a que mais depende da rede pública.
A população periférica e mais vulnerável é a que mais necessita da psicologia no SUS e acaba sendo a principal prejudicada por essa carência, destacou.
Demora pode agravar transtornos mentais
A longa espera por atendimento preocupa especialistas, que alertam para o agravamento de quadros de ansiedade, depressão e outros transtornos mentais sem acompanhamento adequado.
Amanda Ventura, psicóloga e coordenadora da Comissão Especial de Psicologia na Saúde do Conselho Federal de Psicologia, afirma que a alta demanda também sobrecarrega os profissionais que já atuam na rede.
Segundo ela, equipes sobrecarregadas têm dificuldade de oferecer acompanhamento integral aos pacientes, o que impacta diretamente a qualidade do serviço prestado.
Ventura defende o fortalecimento de equipes multiprofissionais dentro das unidades básicas de saúde, em apoio às equipes de saúde da família.
Concurso sem reposição há anos
Outro fator que contribui para o déficit de profissionais é a ausência de novos concursos públicos. O último certame da Secretaria de Saúde do DF para contratação de especialistas, incluindo psicólogos, foi realizado em 2014. Os últimos aprovados foram nomeados em 2018.
Questionada sobre a situação, a Secretaria de Saúde informou que a rede passa por um processo de fortalecimento e ampliação da capacidade assistencial, incluindo implantação de novos equipamentos estratégicos.
A pasta também informou que novos concursos para contratação de psicólogos e outros especialistas estão em tramitação junto à Secretaria de Economia do DF, mas ainda sem previsão para publicação dos editais.




