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Clínicas investigadas por fraude em terapias para crianças com autismo causam prejuízo milionário a planos de saúde

Polícia Civil de São Paulo apura suspeitas de superfaturamento, falsificação de registros e cobranças por atendimentos não realizados

Danieli Aguiar
Por Danieli Aguiar 5 Min Leitura
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Investigação da Polícia Civil de São Paulo apura suspeita de fraude em clínicas que oferecem terapias para crianças com TEA custeadas por planos de saúdeImagem: Reprodução/TV
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Clínicas que afirmam oferecer terapias intensivas para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), custeadas por planos de saúde, estão sendo investigadas pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de fraude. Segundo as apurações, o esquema pode ter causado um prejuízo estimado em R$ 60 milhões às operadoras.

A investigação aponta que unidades teriam superfaturado tratamentos, falsificado registros de atendimento e inflado a carga horária de terapias que, na prática, não teriam sido realizadas. Documentos e gravações obtidos pelo programa Fantástico mostram divergências entre os valores cobrados e o atendimento efetivamente prestado.

 Cobranças muito acima da média

Auditorias conduzidas pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) identificaram casos em que clínicas cobravam até quase 100 vezes mais sessões do que as realmente realizadas.

Em uma das unidades investigadas, 66% dos pacientes registravam mais de 80 horas mensais de terapia, número muito superior à média nacional, que não chega a 3% para esse tipo de tratamento.

Um dos casos analisados envolve um menino de seis anos. Segundo informações enviadas pela clínica ao plano de saúde, ele teria recebido 416 horas mensais de atendimento. No entanto, o pai relatou que a criança frequentava o local apenas uma vez por semana, com sessões de aproximadamente 50 minutos, somando cerca de 16 horas por mês.

Pais denunciam irregularidades

Relatos de famílias também reforçam as suspeitas. Uma mãe afirmou que, em duas clínicas diferentes, era orientada a assinar documentos como se o filho tivesse realizado três sessões em um único dia, embora apenas uma tivesse ocorrido.

Segundo ela, a justificativa apresentada era financeira.

“Eles dizem que, se for apenas uma sessão, o convênio paga pouco e não compensa manter o profissional. E acabam se aproveitando da fragilidade dos pais, que só querem garantir o tratamento dos filhos”, relatou.

Entre as unidades citadas está uma clínica localizada na Zona Oeste de São Paulo. A defesa nega irregularidades e afirma que não houve falsificação de laudos, assinaturas ou cobranças indevidas, alegando que todas as terapias são auditáveis e submetidas a controles rigorosos.

Investigação alcança outras cidades

As apurações também chegaram a clínicas em outras cidades paulistas, como Mogi das Cruzes.

Em um dos casos, registros apontavam que um menino de oito anos teria recebido 200 horas de terapia em um único mês. A mãe informou ao plano de saúde que o filho comparecia à clínica apenas duas vezes por semana, em sessões de cerca de 40 minutos. A defesa também nega irregularidades e afirma que a unidade sofre perseguição por parte das operadoras.

Ex-funcionários de outra clínica investigada relataram à polícia que utilizavam logins e senhas de aplicativos dos planos de saúde para registrar presença como se fossem os próprios pacientes. Também há denúncias de tentativas de burlar sistemas de reconhecimento facial com fotos das crianças feitas dentro das unidades.

Em uma das situações mais graves, uma psicóloga teria registrado 706 horas de atendimento em apenas um mês, incluindo 56 horas em um único dia.

Crimes investigados

De acordo com a Polícia Civil, os investigados podem responder por estelionato, organização criminosa, lavagem de dinheiro e até crime contra a saúde pública.

Especialistas alertam que o problema ultrapassa o impacto financeiro causado às operadoras e afeta diretamente famílias e pacientes.

“As intervenções terapêuticas são fundamentais. Ter uma fraude envolvendo crianças, em uma fase em que elas precisam desenvolver todo o seu potencial, é particularmente cruel”, afirmou Cassio Ide Alves, diretor de Riscos e Fraudes da Associação de Planos.

Em nota, a defesa do Espaço Singular afirmou que os sócios da clínica jamais compactuaram com qualquer prática em desacordo com a legislação.

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