Copom mantém Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes nos juros

Decisão unânime do Banco Central ocorre em meio à alta das expectativas de inflação e à desaceleração da economia; Brasil continua com o maior juro real do mundo

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 2 Min Leitura
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A decisão foi unânime e interrompe o ciclo de cortes iniciado em março de 2026Imagem: TV/ Reprodução
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, nesta quarta-feira (4). A decisão foi unânime e interrompe o ciclo de cortes iniciado em março de 2026.

Segundo o Banco Central, a alta das expectativas de inflação, as incertezas no cenário econômico e a desaceleração mais acentuada da atividade econômica exigem cautela na condução da política monetária.

No comunicado, o comitê destacou que a inflação recente e as projeções para os próximos anos estão acima do esperado. A estimativa para o segundo trimestre de 2028, considerado o horizonte relevante para a política monetária, subiu de 3,4% para 3,5%.

Com a manutenção da Selic, o Brasil continua liderando o ranking de maiores juros reais do mundo, com taxa de 8,45% ao ano, considerando o desconto da inflação projetada para os próximos 12 meses. A Rússia aparece em segundo lugar, com 6,79%.

O Copom também apontou o cenário internacional como um fator de preocupação, especialmente pelo prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, que afetam os preços do petróleo e seus derivados, além da política monetária restritiva das economias avançadas.

No cenário doméstico, o Banco Central identificou uma desaceleração mais intensa da atividade econômica, embora o mercado de trabalho ainda apresente resiliência. O comitê informou que continuará acompanhando os indicadores para avaliar os próximos passos e garantir a convergência da inflação à meta.

A meta de inflação brasileira é de 3% ao ano, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para definir a Selic, o Banco Central considera principalmente as projeções de inflação para os próximos anos.

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