Durigan nega discussão sobre tabelar juros e uso de reservas cambiais no governo Lula

Ministro da Fazenda afirma que não há reunião prevista entre o presidente e André Lara Resende, economista que defende mudanças na política fiscal e monetária

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 3 Min Leitura
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A declaração ocorre após a repercussão de um possível encontro entre Lula e o economista André Lara ResendeImagem: Reprodução
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteja avaliando propostas para tabelar a taxa Selic ou utilizar reservas cambiais para compensar uma eventual saída de capitais do país.

A declaração ocorre após a repercussão de um possível encontro entre Lula e o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real e defensor de mudanças na condução das políticas fiscal e monetária. A possibilidade da reunião foi divulgada pelo jornal O Globo, mas, segundo Durigan, não há compromisso previsto entre os dois.

“Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende”, afirmou o ministro.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, também descartou que as propostas estejam em discussão no governo. Segundo ele, não existe iniciativa para tabelar juros e o tema não fez parte da campanha eleitoral.

Mercadante afirmou ainda que Lula começará a discutir a composição do quarto mandato a partir desta terça-feira (3). Após vencer Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, o petista passou os últimos dias em período de descanso e recuperação da voz, na Granja do Torto e no Palácio da Alvorada.

Proposta de André Lara Resende

Em artigo publicado no fim de setembro, André Lara Resende apresentou uma proposta de reformulação da relação entre as políticas fiscal e monetária, com o objetivo de reduzir a taxa básica de juros.

Entre as medidas sugeridas está a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, responsável por estabelecer metas fiscais e monetárias para períodos de quatro a cinco anos.

O economista também defende uma redução gradual da Selic ao longo de aproximadamente 12 meses, até alcançar cerca de 7,5% ao ano inicialmente. A proposta prevê revisões periódicas para diminuir esse percentual até a eliminação de uma margem de segurança temporária.

Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano, conforme definição do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

A proposta recebeu apoio da deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra das Relações Institucionais. Ela classificou o artigo como fundamental para enfrentar as críticas à política fiscal brasileira.

Gleisi também criticou a reação negativa do mercado financeiro à possibilidade de uma conversa entre Lula e o economista. Segundo ela, o diálogo com diferentes especialistas não significa que o presidente adotará as propostas apresentadas.

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