Celina Leão é reeleita governadora do DF com 57,18% dos votos

Resultado confirma vitória da primeira mulher eleita diretamente para comandar o Distrito Federal; Leandro Grass recebeu 42,82% dos votos válidos

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 5 Min Leitura
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Celina é a primeira mulher eleita diretamente pelos eleitores para governar a capital federalImagem: Reprodução
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Celina Leão (PP) foi reeleita governadora do Distrito Federal no domingo (25), com 987.142 votos, o equivalente a 57,18% dos votos válidos. O resultado foi confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após a apuração de 100% das urnas. Leandro Grass (PT), que disputou o segundo turno, recebeu 739.130 votos, ou 42,82%. O vice-governador eleito é Gustavo Rocha (Republicanos).

A vitória marca um momento inédito na história política do DF. Celina é a primeira mulher eleita diretamente pelos eleitores para governar a capital federal. Outras mulheres já ocuparam o cargo anteriormente, mas chegaram à chefia do Executivo após serem eleitas vice-governadoras.

Disputa foi definida no segundo turno

No primeiro turno, Celina recebeu 825.530 votos, correspondentes a 49,93% dos votos válidos. A diferença de apenas 1.089 votos para alcançar a maioria necessária à vitória na primeira etapa levou a disputa para o segundo turno contra Leandro Grass, que também havia ficado em segundo lugar na eleição de 2022.

Durante a campanha, Celina destacou sua atuação à frente do Governo do Distrito Federal e defendeu a continuidade de sua gestão. Líder nas pesquisas de intenção de voto desde o início da corrida eleitoral, ela também foi alvo de críticas dos adversários nos debates e optou por não participar de alguns encontros, incluindo os dois promovidos pela TV Globo.

Nas primeiras semanas, a governadora disputou espaço com o ex-governador José Roberto Arruda (PSD). A candidatura dele, porém, foi barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), em decisão posteriormente confirmada pelo TSE.

Saúde, educação e crise do BRB marcaram a campanha

No segundo turno, a disputa foi marcada por acusações entre os candidatos e críticas à administração de Celina, principalmente nas áreas de saúde, educação, transporte público e segurança.

A crise do Banco de Brasília (BRB), envolvendo o Banco Master, também ganhou destaque. Durante a campanha, Celina negou responsabilidade pelos problemas relacionados à tentativa de compra do banco e afirmou que era contrária à operação desde o início. A governadora também criticou a atuação do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e do governo federal na condução do caso.

O BRB enfrenta dificuldades após a descoberta de suspeitas de fraudes envolvendo carteiras de crédito adquiridas do Banco Master. O governo do Distrito Federal, acionista majoritário da instituição, busca alternativas para recompor o patrimônio do banco.

Quem é Celina Leão

Celina Leão Hizim Ferreira tem 45 anos, nasceu em Goiânia (GO) e é formada em administração. Ela chegou ao Governo do Distrito Federal em 2023, como vice-governadora na chapa de Ibaneis Rocha.

Em 30 de março de 2026, assumiu a titularidade do Executivo distrital após a saída de Ibaneis do cargo, que pretendia disputar uma vaga no Senado, mas desistiu da candidatura meses depois.

Antes de se tornar governadora, Celina foi deputada federal pelo DF entre 2019 e 2022 e deputada distrital por dois mandatos consecutivos, de 2011 a 2019. Em 2015, após ser reeleita para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), assumiu a presidência da Casa.

Em 2020, licenciou-se temporariamente do mandato de deputada federal para comandar a Secretaria de Esporte e Lazer do DF. Também teve atuação na articulação política nacional e apoiou Jair Bolsonaro (PL) durante seu mandato na Presidência da República.

Em 2017, Celina e outros quatro deputados foram denunciados pelo Ministério Público do Distrito Federal no âmbito da Operação Drácon, que investigou suspeitas de negociações de propina relacionadas a emendas parlamentares. O caso teve origem na divulgação de gravações pela então deputada Liliane Roriz.

Abstenção ficou em 17,37%

Segundo o TSE, 389.853 eleitores não compareceram às urnas no segundo turno, o equivalente a 17,37% do eleitorado apto a votar. O índice foi menor que o registrado no primeiro turno.

Além da reeleição de Celina, o Distrito Federal também registrou uma composição inédita de mulheres eleitas para as três vagas do Senado em disputa, todas aliadas da governadora.

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