Vivemos tentando controlar a vida. Trancamos portas, fazemos planos, calculamos riscos e imaginamos caminhos. Ainda assim, basta um acontecimento inesperado para percebermos que nossa capacidade de prever o amanhã é limitada.
Talvez seja essa uma das mensagens mais atuais do Salmo 121. Para além da dimensão religiosa, o texto toca em uma necessidade profundamente humana: sentir que não estamos completamente desamparados diante daquilo que não conseguimos controlar.
Há portas que se fecham e só depois entendemos por quê. Há caminhos que não seguimos, encontros que não aconteceram e decisões que pareciam ruins, mas acabaram nos levando a outro lugar.
Confiar não significa abandonar a responsabilidade. Continuamos fazendo nossa parte. Mas amadurecer também é compreender que nem tudo estará em nossas mãos.
Talvez a paz comece justamente aí: quando fazemos o que podemos e deixamos de sofrer tentando controlar aquilo que não podemos.
Uma reflexão: há noites em que o melhor que podemos fazer é simplesmente dormir.



