A combinação de altas temperaturas e baixa umidade do ar tem ampliado os desconfortos enfrentados pelos moradores do Distrito Federal durante o período de seca. Garganta seca, pele áspera, boca rachada, dor de cabeça e mal-estar estão entre os efeitos associados às condições climáticas registradas na capital.
No fim de agosto, Brasília registrou três dias consecutivos de recordes históricos de temperatura para o período. A estação meteorológica do Gama marcou 35,2 ºC, enquanto Planaltina teve umidade relativa do ar de apenas 13%. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica a continuidade de dias quentes e abafados, mesmo com possibilidade de chuva em alguns pontos.
Baixa umidade afeta o organismo
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a umidade relativa do ar considerada ideal fica em torno de 60%. Quando os índices ficam muito abaixo desse patamar, o organismo pode sofrer com o ressecamento das vias respiratórias e o aumento da perda de água pela respiração.
O professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Luiz de Melo Martins, explica que o nariz pode ter dificuldade para condicionar adequadamente o ar inspirado. Com isso, parte dessa função passa para a mucosa brônquica, o que contribui para o ressecamento do sistema respiratório.
Entre os efeitos associados à baixa umidade estão fraqueza, desânimo, dor de cabeça, conjuntivite, sangramento nasal, alergias e infecções, principalmente na pele e no sistema respiratório. Também podem ocorrer formação de crostas no trato respiratório e alterações na pressão arterial.
“A baixa umidade acarreta a concentração de névoa seca e deixa o ar que respiramos concentrado de poeiras em suspensão, fumaça dos automóveis e partículas oriundas das queimadas que ocorrem quando a umidade está muito baixa”, afirma Ricardo Luiz de Melo Martins.
Período de seca exige atenção
Além do desconforto causado pelo calor, o ar mais seco pode aumentar a presença de partículas em suspensão, fumaça e poeira. O cenário exige atenção principalmente com a hidratação e com os cuidados voltados à proteção das vias respiratórias.
As orientações para enfrentar o período de seca foram elaboradas a partir de entrevistas com Ricardo Luiz de Melo Martins e com o pneumologista Guilherme Carvalho. O objetivo é ajudar adultos a reduzir os impactos da baixa umidade e das altas temperaturas sobre a saúde.



