Campanha nacional coleta DNA de familiares de pessoas desaparecidas; veja como participar

Mobilização reúne 334 pontos de coleta em todo o país. No Distrito Federal, atendimento ocorre no Instituto de Pesquisa de DNA Forense entre os dias 24 e 28 de agosto

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 6 Min Leitura
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No Distrito Federal, o procedimento é realizado no Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA), no Complexo da Polícia CivilImagem: Divulgação
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Encontrar uma pessoa desaparecida pode depender de uma informação que ainda não chegou. Em muitos casos, o material genético de familiares pode ajudar a estabelecer uma ligação e contribuir para a identificação de pessoas encontradas sem identificação.

A partir desta segunda-feira (24), a Semana de Mobilização Nacional de Coleta de DNA de Familiares de Pessoas Desaparecidas reúne 334 pontos de coleta em todo o país. A iniciativa segue até sexta-feira (28) e chega à 4ª edição sob coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Segundo dados enviados pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), mais de 84 mil pessoas desapareceram no Brasil em 2025. No DF, a Polícia Civil registrou 2.181 desaparecimentos no mesmo ano. Desse total, 2.121 pessoas foram localizadas, o equivalente a 97,2%.

Como o DNA pode ajudar

O material genético coletado dos familiares é inserido em bancos de perfis genéticos e comparado com registros de pessoas encontradas sem identificação. Softwares estatísticos analisam os perfis em busca de possíveis compatibilidades.

A comparação pode contribuir tanto para identificar pessoas encontradas vivas, como aquelas que perderam a memória e estão internadas sem identificação, quanto para esclarecer a identidade de pessoas mortas, incluindo cadáveres e ossadas.

A diretora-adjunta do Instituto de Pesquisa de DNA Forense (IPDNA) do DF, Marinã do Amaral, explica que o banco funciona de forma cumulativa. Os perfis cadastrados permanecem disponíveis para comparação com novos registros incluídos no sistema.

“Quanto maior o número de perfis de familiares cadastrados no banco de dados, maior a chance de, quando a gente encontrar uma pessoa não identificada, conseguir fazer esse match”, afirma.

O perfil genético do familiar é utilizado exclusivamente para auxiliar na identificação da pessoa desaparecida. Após a confirmação da identidade, os dados são retirados do banco.

Quem já participou de campanhas anteriores ou realizou a coleta de DNA em outro momento para identificação de desaparecidos não precisa repetir o procedimento. Os perfis permanecem armazenados e continuam sendo comparados com novos registros.

Quem pode fazer a coleta

A recomendação é que familiares biológicos diretos da pessoa desaparecida forneçam o material genético. A prioridade é para:

●  pai ou mãe biológicos;

●  filhos biológicos da pessoa desaparecida, preferencialmente acompanhados do outro genitor;

● irmãos biológicos, filhos do mesmo pai e da mesma mãe.

Na ausência desses parentes, outros familiares podem ser avaliados individualmente pelos especialistas.

A participação de determinados familiares pode aumentar a eficácia da comparação genética. No caso dos filhos, por exemplo, a presença do outro genitor pode auxiliar no confronto dos perfis.

Menores de idade também podem participar, desde que acompanhados e autorizados por um responsável legal.

A coleta é simples e pode ser feita com um cotonete ou uma pequena esponja passada na parte interna da bochecha. Em algumas situações, pode ser utilizada uma gota de sangue do dedo. Não é necessário estar em jejum.

Onde fazer a coleta no DF

No Distrito Federal, a coleta ocorre no Instituto de Pesquisa de DNA Forense, localizado no Complexo da Polícia Civil, entre os dias 24 e 28 de agosto, das 8h às 18h.

O atendimento no DF ocorre preferencialmente mediante agendamento pelas delegacias. Antes da coleta, é necessário que exista um Boletim de Ocorrência registrado sobre o desaparecimento. A delegacia encaminha o familiar ao instituto por meio de um memorando.

“Não é possível fazer esse cadastramento aqui no Instituto de DNA se nunca foi registrada ocorrência formal desse desaparecimento”, explica Marinã.

Após o agendamento, o familiar deve apresentar documento de identificação, memorando de encaminhamento fornecido pela delegacia, documento da pessoa desaparecida, caso possua, e o número ou uma cópia do Boletim de Ocorrência, se disponível.

Se o desaparecimento foi registrado em outro estado, mas o familiar mora no DF, também é possível realizar a coleta na capital. Nesse caso, o IPDNA recomenda levar uma cópia do BO para facilitar o atendimento.

Atendimento e informações

Moradores do Distrito Federal podem tirar dúvidas pelos telefones (61) 3207-4362 e (61) 3207-4370, pelo WhatsApp (61) 98253-8016 ou pelo e-mail ipdnadesaparecidos@pcdf.df.gov.br.

Nos demais estados, os familiares devem procurar os pontos de coleta indicados na lista oficial do Ministério da Justiça.

Campanhas anteriores

Nas mobilizações realizadas anteriormente, o Distrito Federal registrou 74 familiares que fizeram coleta relacionada a 45 pessoas desaparecidas em 2024. Em 2025, foram 54 familiares cadastrados em casos relacionados a 42 pessoas desaparecidas.

O número de familiares pode superar o de pessoas desaparecidas porque mais de um parente pode fornecer material genético para auxiliar na identificação de uma mesma pessoa.

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