O Distrito Federal envelheceu. O momento de agir é agora

Viver mais é uma conquista. O desafio é viver esses anos com autonomia, segurança, participação e dignidade

Redação
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O Distrito Federal já envelheceu. A longevidade deixou de ser uma projeção para o futuro e passou a fazer parte da realidade das famílias, das comunidades e dos serviços públicos. O problema é que envelhecemos mais rapidamente do que conseguimos nos preparar para essa transformação.

O Estado ainda precisa avançar na construção de respostas integradas, preventivas e permanentes, enquanto muitas famílias assumem novas responsabilidades de cuidado sem informação e suporte suficientes. Não se trata de procurar culpados, mas de reconhecer uma transformação social que exige respostas agora.

Políticas públicas

O Distrito Federal ainda precisa consolidar uma política pública transversal, intersetorial e permanente para o envelhecimento, capaz de articular poder público, pessoas idosas, sociedade civil organizada e os diferentes atores da rede de promoção e garantia de direitos.

Durante muito tempo, falar sobre a pessoa idosa significou concentrar o debate em saúde, assistência social, violência e vulnerabilidade. Essas questões continuam fundamentais, mas envelhecer também é falar de mobilidade, moradia, acessibilidade, segurança, cultura, esporte, educação, inclusão digital, convivência, autonomia e cuidado.
É orçamento. É planejamento. É prevenção.

A pergunta, portanto, não é mais o que faremos quando a população envelhecer, mas o que estamos fazendo agora diante de uma sociedade que já envelheceu?
É nesse cenário que o Fórum Permanente 60+ assume uma responsabilidade importante. Somos uma ampla articulação da sociedade civil voltada à defesa dos direitos da pessoa idosa no DF, reunindo 45 presidentes de associações, 308 coordenadores de grupos de pessoas idosas, com seus respectivos grupos comunitários, e 85 instituições que atuam em diferentes áreas sociais.

Nossa força não está apenas nos números. Está na presença nos territórios, na capacidade de ouvir diferentes realidades e transformar essa escuta em diálogo, articulação e proposição.

Isso é fundamental porque não existe uma única forma de envelhecer no Distrito Federal. Transporte, renda, acesso à saúde e à tecnologia, segurança, estrutura familiar e oportunidades de convivência produzem realidades distintas entre as Regiões Administrativas. As políticas públicas precisam reconhecer essas diferenças e chegar às pessoas onde elas vivem.

E há um princípio do qual não abrimos mão: não podemos discutir políticas para a pessoa idosa sem a pessoa idosa.
Ela precisa estar à mesa, participando das decisões sobre prioridades, orçamento, programas e planejamento.

Quem vivencia diariamente as dificuldades do transporte, da acessibilidade, da saúde ou da exclusão digital possui um conhecimento que precisa chegar aos espaços de decisão.

Experiência também é conhecimento

Vale a pena ressaltar que, especialmente no processo eleitoral, a pessoa idosa não pode ser vista apenas como eleitora, mas como cidadã e protagonista permanente das decisões públicas.

Da mesma forma, o Fórum Permanente 60+ reafirma sua autonomia e independência. Quem fala em nome do Fórum são seus integrantes e suas instâncias legítimas de representação. Manifestações individuais, inclusive de pessoas que ocupem funções públicas ou cargos de confiança, não representam o posicionamento institucional do Fórum sem a devida legitimidade.

O Fórum dialoga com governos, parlamentares e instituições, mas não pertence a governos, partidos ou projetos eleitorais. Essa independência é o que nos permite dialogar, propor, reconhecer avanços e, sobretudo, cobrar resultados em nome das pessoas idosas que constroem este movimento.

E uma pergunta precisa estar no centro do debate público: Qual é o planejamento para um Distrito Federal que já envelheceu?

Mais do que promessas ou projetos isolados, precisamos discutir políticas permanentes, orçamento, prevenção e integração entre saúde, assistência social, mobilidade, segurança, cultura, esporte, habitação e inclusão digital.
Precisamos, sobretudo, enfrentar a descontinuidade.

Não podemos considerar normal que iniciativas que apresentam resultados e atendem necessidades reais desapareçam quando termina uma parceria, muda uma gestão ou se encerra um orçamento.

Projetos podem ter começo e fim. Direitos não podem ter prazo de validade.
Boas experiências precisam ser avaliadas, aperfeiçoadas e contribuir para políticas estruturadas, com metas, integração e previsão orçamentária. Essa é uma responsabilidade do Executivo e do Legislativo. Políticas permanentes exigem prioridade, recursos, planejamento e compromisso institucional.

Por isso, durante e depois do processo eleitoral, queremos discutir quais compromissos serão assumidos para garantir uma política permanente de envelhecimento no Distrito Federal — não apenas quais projetos serão anunciados, mas como serão assegurados continuidade, orçamento, integração e participação efetiva das pessoas idosas.
Também precisamos fortalecer a prevenção. Ao perguntar quanto custa determinada política pública, precisamos perguntar: quanto custará não fazer?
Investir em convivência, atividade física, autonomia, inclusão e segurança digital e saúde preventiva significa antecipar problemas e reduzir seus impactos sobre as pessoas, as famílias e o próprio Estado.

Prevenção também é planejamento público

É essa discussão que o Fórum Permanente 60+ pretende fortalecer: uma agenda permanente do envelhecimento para o Distrito Federal, capaz de ultrapassar governos, partidos e calendários eleitorais, articulando pessoas idosas, sociedade civil, poder público, Legislativo, conselhos, universidades e demais instituições.

Não queremos que o envelhecimento seja lembrado apenas diante de uma emergência ou quando se aproximam as eleições. Queremos compromissos públicos que possam ser acompanhados, cobrados e transformados em políticas de Estado.

Viver mais é uma conquista. O desafio é viver esses anos com autonomia, segurança, participação e dignidade.
Não estamos nos preparando para uma realidade que chegará amanhã. Estamos diante de uma realidade que já chegou.

Que Distrito Federal estamos construindo para aqueles que já envelheceram e para todos nós que estamos envelhecendo?
O envelhecimento já aconteceu. Planejamento, orçamento e continuidade não podem mais ser adiados.
O momento de agir é agora.

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