O tráfico de pessoas é uma das mais graves violações dos direitos humanos e continua fazendo vítimas em todo o mundo. Na quarta-feira (30), quando foi celebrado o Dia Mundial e Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, o alerta se volta para um crime que vai muito além da exploração sexual. A prática também envolve trabalho em condições análogas à escravidão, servidão, adoção ilegal, remoção de órgãos e outras formas de exploração humana.
No Distrito Federal, a Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF) reforçou que qualquer pessoa pode denunciar situações suspeitas por meio da Gerência de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Apoio ao Migrante (Getpam), além dos canais nacionais de proteção aos direitos humanos. Segundo o órgão, as informações recebidas auxiliam na identificação de vítimas e no encaminhamento dos casos aos órgãos competentes.
Crime silencioso
De acordo com o Ministério da Justiça, o tráfico de pessoas é marcado pela subnotificação, o que dificulta mensurar sua real dimensão. Muitas vítimas são aliciadas por falsas promessas de emprego, estudo ou melhores condições de vida e acabam submetidas à exploração dentro ou fora do país. Em 2025, 84 brasileiros foram identificados como vítimas de tráfico internacional, muitos deles atraídos por falsas oportunidades de trabalho em centros de golpes virtuais no exterior.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) destaca que informação e prevenção são as principais ferramentas para evitar novos casos. Antes de aceitar propostas de emprego ou viagens, é fundamental verificar a origem da oferta, desconfiar de promessas excessivamente vantajosas e nunca entregar documentos pessoais a terceiros.
A denúncia pode ser feita mesmo diante de suspeitas. Especialistas ressaltam que o silêncio favorece a atuação das organizações criminosas, enquanto a informação e a participação da sociedade são fundamentais para proteger vítimas e impedir novas ocorrências.


