Brasil corta juros, e EUA, sobem; entenda o que isso muda para seu bolso

Enquanto o Copom reduziu a Selic para 13,75%, o Federal Reserve elevou os juros americanos para 3,75% a 4%; decisões podem afetar dólar, crédito e preços no Brasil

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
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O Copom reduziu a Selic para 13,75%, enquanto o Federal Reserve elevou os juros americanos para até 4%Imagem: Agência Brasil

As decisões dos principais bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos tomaram caminhos diferentes nesta semana. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) elevou os juros pela primeira vez em três anos, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano.

A diferença nas decisões ocorre em um cenário de inflação ainda pressionada nos dois países, mas com características distintas. Nos Estados Unidos, a inflação acumulada em 12 meses está em 3,4%, acima da meta de 2% do Fed. No Brasil, o índice está em 4,22%, dentro da margem de tolerância da meta do Banco Central.

Decisões diferentes, impactos que chegam ao Brasil

A decisão do Fed pode influenciar a economia brasileira principalmente por meio do câmbio e do crédito. Os efeitos não costumam aparecer imediatamente, mas podem ser percebidos ao longo das semanas e dos meses.

Segundo Fernando Benavenuto, especialista em investimentos e sócio-fundador da Anvex Capital, uma das principais vias é o dólar. Uma moeda americana mais valorizada pode encarecer produtos importados e insumos utilizados pela indústria brasileira, com reflexos posteriores nos preços ao consumidor.

Outro impacto está relacionado aos juros. De acordo com o especialista, a manutenção de taxas elevadas nos Estados Unidos pode limitar o espaço para novos cortes da Selic no Brasil. Com isso, financiamentos, empréstimos e o crédito rotativo do cartão podem permanecer mais caros por mais tempo.

Mercado acompanha próximos passos do Fed

Além da decisão sobre os juros, os investidores observam as sinalizações do Federal Reserve sobre os próximos encontros. As projeções divulgadas pelo banco central americano ajudam o mercado a avaliar se a elevação pode ser seguida por novas altas ou se o movimento será isolado.

Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, as expectativas têm peso importante na movimentação do dólar. Caso o Fed indique que os juros americanos podem permanecer elevados por mais tempo, os títulos dos Estados Unidos podem se tornar mais atrativos para investidores.

Esse movimento pode aumentar a procura por ativos em dólar e pressionar o real. Benavenuto avalia que o principal impacto para a moeda brasileira não está necessariamente na alta anunciada nesta quarta-feira, mas na possibilidade de os juros americanos permanecerem em níveis elevados por mais tempo.

Diferença entre juros também pesa

A diferença entre os juros brasileiros e americanos é outro fator observado pelos investidores. Quando a vantagem oferecida pelos investimentos em reais diminui, o país pode perder parte da atratividade para recursos estrangeiros.

O cenário também depende de outros fatores internos. As contas públicas e as incertezas relacionadas à eleição de outubro podem influenciar o comportamento do real nas próximas semanas.

Para identificar se uma alta do dólar está mais relacionada ao cenário externo ou ao Brasil, especialistas costumam observar o comportamento de outras moedas de países emergentes.

Se o dólar se valorizar de forma semelhante diante de várias moedas, o movimento pode indicar uma influência internacional. Caso o real apresente uma desvalorização maior do que moedas como o peso mexicano, o rand sul-africano ou o peso chileno, fatores domésticos podem ter maior peso.

A análise, porém, não permite separar com precisão cada influência. Segundo Magno, fatores externos e internos podem atuar simultaneamente sobre o câmbio e produzir efeitos diferentes ao longo dos próximos meses.

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