Michelle Bolsonaro deixa presidência do PL Mulher após crise com Flávio

Ex-primeira-dama afirma que vai se dedicar aos cuidados da família, enquanto saída ocorre em meio ao desgaste com Flávio Bolsonaro

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
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Michelle Bolsonaro anunciou a renúncia à presidência nacional do PL Mulher após reunião com Valdemar Costa Neto, em BrasíliaImagem: Reprodução/Redes Sociais
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou, na noite de terça-feira (30), sua renúncia à presidência nacional do PL Mulher. A decisão foi comunicada após uma reunião com o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, realizada na sede da legenda, em Brasília. Segundo Michelle, ela deixará o cargo para dedicar integralmente seu tempo aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e da filha.

O anúncio acontece em um momento de tensão dentro do partido, marcado pelo desgaste na relação entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República. Até o fechamento desta matéria, o parlamentar não havia se pronunciado sobre a saída da ex-primeira-dama.

Decisão foi tomada após conversa com Bolsonaro

Em nota, Michelle informou que a renúncia foi resultado de uma reflexão feita em conjunto com Jair Bolsonaro diante da situação enfrentada pela família.

Na mensagem, ela afirmou que, durante sua gestão à frente do PL Mulher, o movimento foi estruturado nacionalmente e ganhou força com a criação de diretórios estaduais e municipais, além da mobilização de lideranças femininas em todo o país.

Michelle também agradeceu às dirigentes do movimento, à equipe nacional e ao presidente do partido pela confiança depositada durante sua permanência no cargo.

Crise com Flávio Bolsonaro antecedeu a saída

A renúncia ocorre poucos dias após a divulgação de um vídeo em que Michelle relata ter sido tratada de forma desrespeitosa por Flávio Bolsonaro durante uma conversa telefônica. Segundo ela, o episódio aconteceu após divergências sobre alianças políticas do partido para as eleições no Ceará.

A ex-primeira-dama é contrária a um acordo com o ex-governador Ciro Gomes, atualmente filiado ao PSDB, enquanto Flávio defende a composição política no estado.

A expectativa da direção do partido era que Michelle participasse do encontro nacional de mulheres do PL, realizado nesta quarta-feira (1º), em Brasília, como forma de demonstrar uma reaproximação pública entre ela e o senador. Com a renúncia, esse gesto acabou não acontecendo.

Trabalho no fortalecimento do PL Mulher

Michelle destacou que assumiu a presidência do PL Mulher em 2023, quando, segundo ela, o movimento ainda não possuía atuação efetiva. Durante sua gestão, afirmou ter percorrido o país para ampliar a presença da organização e fortalecer a participação feminina na política.

De acordo com a ex-primeira-dama, o trabalho contribuiu para que o PL elegesse 1.005 mulheres nas eleições municipais de 2024, resultado que representa um crescimento de 45,8% em comparação com o pleito de 2020.

Apesar da saída da presidência do PL Mulher, Michelle não comentou na nota quais serão seus próximos passos políticos. O Partido Liberal, no entanto, mantém a expectativa de lançá-la como candidata ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano.

Valdemar pede respeito à decisão

Também por meio de nota, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que divergências são naturais em um partido do tamanho da legenda e classificou o momento vivido por Michelle como delicado.

Segundo ele, a ex-primeira-dama realizou um trabalho importante no comando do PL Mulher, mas decidiu priorizar o acompanhamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e da família. Valdemar afirmou que a decisão deve ser respeitada e reforçou que o partido continuará unido em seus objetivos políticos.

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