Pix por aproximação terá limite flexível a partir de outubro de 2026

Banco Central elimina teto diário de R$ 500 para a modalidade e permitirá que usuários ajustem os próprios limites de transação

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
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Celular realizando pagamento por Pix por aproximação em maquininha de cartãoImagem: Freepik
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O Banco Central (BC) anunciou uma mudança nas regras do Pix por aproximação que promete ampliar a flexibilidade para os usuários. A partir de 1º de outubro de 2026, deixará de existir o limite diário de R$ 500 para pagamentos realizados por essa modalidade. Com a nova norma, cada cliente poderá solicitar à instituição financeira o aumento ou a redução do limite disponível para transações.

Lançado em 2025, o Pix por aproximação permite que pagamentos sejam feitos apenas aproximando o celular ou relógio inteligente da maquininha, sem necessidade de escanear QR Codes ou digitar informações manualmente. A tecnologia utiliza o sistema NFC, o mesmo empregado em cartões de crédito e débito por aproximação.

Como funciona o Pix por aproximação

Para utilizar a funcionalidade, é necessário vincular a conta bancária a uma carteira digital compatível. Durante esse processo, o usuário é direcionado automaticamente para sua instituição financeira, onde confirma a autorização. A vinculação ocorre apenas uma vez.

Após a configuração, basta selecionar a opção de pagamento via Pix, aproximar o dispositivo da maquininha, conferir os dados da transação e confirmar a operação.

Atualmente, o recurso está disponível em aparelhos Android por meio de carteiras digitais como Google Pay e Samsung Wallet. Nos iPhones, a modalidade ainda não funciona porque a Apple não permite que aplicativos de carteiras digitais atuem como Iniciadores de Transação de Pagamento (ITPs), requisito necessário para a operação.

Crescimento do Pix no Brasil

O Pix se consolidou como o principal meio de pagamento do país desde sua criação. Somente no ano passado, o sistema movimentou R$ 35,36 trilhões em transferências.

Além da popularização entre consumidores e empresas, a ferramenta também ampliou a inclusão financeira e facilitou o recebimento de pagamentos por pequenos negócios, tanto físicos quanto digitais.

Em novembro de 2025, durante as comemorações dos cinco anos do Pix, o diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, Renato Gomes, destacou o alcance da plataforma entre os brasileiros.

“É essencialmente quase todo adulto no país”, afirmou na ocasião.

Pix entra na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos

O sucesso do Pix também passou a chamar atenção fora do Brasil. O governo dos Estados Unidos tem criticado o sistema por considerar que ele reduz o espaço de atuação de empresas de cartões como Mastercard e Visa.

Segundo autoridades americanas, o Banco Central acumula as funções de regulador e operador da plataforma, o que, na avaliação dos EUA, favoreceria o sistema público em detrimento de concorrentes privados.

As críticas integram uma investigação comercial conduzida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que serviu de base para a proposta de aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O órgão alega que determinadas práticas brasileiras restringem ou dificultam a atuação de empresas norte-americanas.

Embora o Pix não tenha sido citado nominalmente na abertura da investigação, documentos posteriores da Casa Branca passaram a mencionar diretamente o sistema como um fator que impactaria empresas americanas do setor de pagamentos.

Especialistas ouvidos pela imprensa avaliam que o avanço do Pix, a concorrência com as bandeiras internacionais de cartões e as discussões sobre expansão internacional da plataforma ajudam a explicar a pressão dos Estados Unidos. Para eles, entretanto, não há fundamentos consistentes para questionar o funcionamento do sistema brasileiro.

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