O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou na quinta-feira (11) que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem como meta zerar a fila de espera para concessão de benefícios até setembro deste ano. A declaração foi feita durante evento oficial, ao elogiar a nova presidente do órgão, Ana Cristina Viana Silveira, que assumiu recentemente o comando da autarquia.
Segundo Lula, a nova gestora se comprometeu a eliminar a chamada fila do INSS nos próximos meses. Caso a meta seja alcançada, o governo reduzirá uma das principais reclamações dos segurados da Previdência Social às vésperas das eleições presidenciais de 2026.
O Ministério da Previdência Social considera que “zerar a fila” significa eliminar o estoque de requerimentos que aguardam análise há mais de 45 dias. Atualmente, o INSS recebe, em média, 1,3 milhão de novos pedidos de benefícios por mês.
Dados divulgados pela pasta mostram que o estoque de requerimentos caiu de 3,1 milhões em fevereiro para 2,2 milhões atualmente, uma redução de 29% em três meses. Segundo o governo, este é o menor nível registrado nos últimos 17 meses.
Parte da fila depende dos segurados
O Ministério da Previdência destaca que nem todos os processos pendentes dependem exclusivamente da atuação do INSS. Cerca de 528 mil requerimentos aguardam providências dos próprios segurados, como envio de documentos ou complementação de informações.
De acordo com a pasta, mais de 20% dos casos em espera estão nessa situação, o que exige participação dos beneficiários para que os processos avancem.
Outro indicador apresentado pelo governo é a redução do tempo médio de análise dos pedidos. Em abril, o prazo médio ficou em 40 dias. Em março, o tempo era de 51 dias e, em fevereiro, alcançava 59 dias.
Mudança no comando do INSS
A estratégia para reduzir a fila inclui a troca na presidência do instituto. Ana Cristina Viana Silveira substitui Gilberto Waller Júnior, que esteve à frente do órgão por 11 meses.
Servidora de carreira desde 2003 e formada em Direito, Ana Cristina presidiu o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) por quase três anos. Nesse período, segundo o governo, a capacidade de análise de recursos previdenciários foi duplicada.
A nova presidente assume com a missão de acelerar a concessão de benefícios, simplificar procedimentos internos e reduzir o tempo de espera dos segurados.
Escândalo de fraudes marcou gestão anterior
Gilberto Waller havia sido nomeado para a presidência do INSS em meio ao escândalo envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões. A investigação da Polícia Federal revelou um esquema de fraudes que teria causado prejuízos bilionários entre 2019 e 2024.
As apurações apontam que os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões. O caso resultou no afastamento e na prisão de integrantes da cúpula do instituto, incluindo o então presidente Alessandro Stefanutto e outros servidores.
Apesar de ter atuado na reorganização administrativa após a crise, Waller enfrentou críticas pela persistência das filas de espera, um dos principais desafios da Previdência Social.
O que é o INSS
O Instituto Nacional do Seguro Social é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Previdência Social. O órgão é responsável pela análise, concessão, manutenção e pagamento de benefícios previdenciários, como aposentadorias, pensões, auxílio-doença e Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Com a nova gestão, o governo aposta na redução dos prazos de atendimento e na modernização dos processos internos para cumprir a promessa de eliminar os pedidos em atraso até setembro.



