O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan após o registro de 42 casos graves de reações adversas, incluindo duas mortes suspeitas que seguem em investigação. A medida entrou em vigor nesta segunda-feira (8) e tem caráter preventivo, enquanto especialistas analisam se existe relação entre os casos e a imunização.
Até 30 de maio, cerca de 500 mil pessoas haviam recebido a vacina em diferentes regiões do país. Segundo a pasta, os casos graves representam 0,008% do total de imunizados. A maior parte dos vacinados é formada por profissionais de saúde, que somam aproximadamente 417 mil pessoas.
Monitoramento será ampliado
A partir desta terça-feira (9), o Ministério da Saúde passou a orientar um monitoramento mais rigoroso de casos de dengue em pessoas vacinadas recentemente, além de acompanhar pacientes com sinais de alarme e eventuais óbitos relacionados à doença.
A recomendação é que quem recebeu a vacina nos últimos 21 dias procure uma unidade de saúde para acompanhamento preventivo. Entre os sintomas que exigem atenção estão febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação e piora do estado geral.
Casos seguem sob investigação
De acordo com o ministério, foram registradas 3.703 notificações de eventos adversos entre os vacinados, o equivalente a 0,7% do total. Desses registros, 42 apresentaram sinais de alarme e foram classificados como graves.
Durante coletiva de imprensa, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não existem evidências suficientes para estabelecer uma relação direta entre a vacina e os casos graves investigados.
Segundo a pasta, três ocorrências chamaram atenção pela gravidade, incluindo duas mortes. Apesar disso, as investigações conduzidas por órgãos municipais, estaduais e especialistas ainda não apontaram causalidade comprovada.
Vacina segue considerada eficaz
O Ministério da Saúde ressaltou que a suspensão não significa perda de eficácia da vacina. A medida busca permitir análises complementares sobre o comportamento do imunizante em diferentes cenários epidemiológicos e grupos populacionais.
Desenvolvida pelo Instituto Butantan, a vacina é a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e também a primeira do mundo aplicada em dose única. Estudos anteriores, realizados com cerca de 16 mil participantes, apontaram segurança e eficácia do imunizante, resultados que foram publicados em revista científica internacional.
Em nota, o Instituto Butantan informou que seguirá a orientação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), colaborando com as investigações e com a reavaliação da estratégia de vacinação.



