Ad image

Veja o que muda nas novas regras do Minha Casa, Minha Vida

Novas regras elevam limites de renda e valor dos imóveis e devem beneficiar principalmente a classe média

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 4 Min Leitura
4 Min Leitura
Residencial disponível para financiamento pelo programa Minha Casa, Minha Vida.Imagem: Divulgação/Agência Brasil
ouça o post

A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil começaram, na quarta-feira (22), a operar financiamentos imobiliários com as novas regras do programa Minha Casa, Minha Vida. As mudanças ampliam o alcance do programa para imóveis de até R$ 600 mil e para famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, aumentando o acesso ao crédito com juros abaixo dos praticados no mercado.

Na prática, a atualização eleva os limites de renda e o valor máximo dos imóveis em todas as faixas do programa, o que permite a compra de unidades maiores ou melhor localizadas. A expectativa do governo federal é de que ao menos 87,5 mil famílias sejam beneficiadas com as novas condições.

Ampliação das faixas de renda

Os novos limites de renda passaram por reajuste em todas as categorias. A faixa 1 agora contempla famílias com renda de até R$ 3.200. A faixa 2 foi ampliada para até R$ 5.000. Já a faixa 3 passou a incluir rendas de até R$ 9.600, enquanto a faixa 4 chega a R$ 13 mil.

Com isso, famílias que estavam próximas dos limites anteriores passam a se enquadrar em faixas com juros mais baixos. Um exemplo é o de quem tinha renda entre R$ 4.700 e R$ 5 mil, que deixa a faixa 3 e passa para a faixa 2, reduzindo a taxa de juros anual de cerca de 8,16% para 7%.

Imóveis com valores mais altos

O valor máximo dos imóveis financiados também foi reajustado. Nas faixas 1 e 2, os limites variam entre R$ 210 mil e R$ 275 mil, conforme a localidade. Na faixa 3, o teto subiu de R$ 350 mil para R$ 400 mil. Já na faixa 4, o valor máximo passou de R$ 500 mil para R$ 600 mil.

A mudança amplia as opções disponíveis no mercado. Famílias da faixa 3, por exemplo, passam a acessar imóveis até R$ 400 mil, enquanto as da faixa 4 podem financiar unidades de padrão mais elevado dentro do programa.

Impacto na classe média

Especialistas apontam que as novas regras devem favorecer principalmente a classe média, que enfrentava maior dificuldade para financiar imóveis fora do programa devido aos juros elevados. Com a ampliação, parte desse público volta a ter acesso a condições mais vantajosas.

Segundo o governo, cerca de 31,3 mil famílias passam a integrar a faixa 3 e outras 8,2 mil entram na faixa 4. O movimento ocorre após um período em que a taxa básica de juros, a taxa Selic, permaneceu em patamar elevado, dificultando o acesso ao crédito imobiliário.

A coordenadora de projetos de construção do FGV Ibre, Ana Maria Castelo, avalia que a medida corrige uma defasagem nos limites do programa. Segundo ela, famílias que estavam ligeiramente acima das faixas de corte passam agora a ser incluídas, ampliando o acesso à casa própria.

Crescimento do programa

As mudanças consolidam a expansão recente do Minha Casa, Minha Vida. Até abril de 2025, o programa atendia majoritariamente famílias com renda de até R$ 8 mil. Com ajustes sucessivos e a criação da faixa 4, esse limite foi elevado para R$ 13 mil em menos de um ano.

Dados do Ministério das Cidades indicam que o programa teve recorde de contratações em 2025, com destaque para o crescimento da faixa 3. O desempenho reforça o papel do MCMV como principal motor do setor da construção civil no país, especialmente em um cenário de crédito mais restrito fora do programa.

Compartilhe esse Artigo
Deixe sua opnião
Verified by MonsterInsights