A Universidade de Brasília abriu processo seletivo para pessoas com 60 anos ou mais interessadas em ingressar em cursos de graduação. A iniciativa oferece 216 vagas para o segundo semestre de 2026, distribuídas entre os campi do Plano Piloto, Ceilândia, Gama e Planaltina, com inscrições gratuitas até 13 de abril.
O modelo segue uma política institucional voltada ao envelhecimento ativo e à valorização da pessoa idosa. A proposta amplia o acesso ao ensino superior e reconhece o direito à educação em todas as fases da vida, com base em diretrizes que incentivam participação, autonomia e inclusão social.
A seleção será realizada por meio de prova de redação em Língua Portuguesa, prevista para maio. O processo elimina barreiras comuns ao público mais velho, como taxas de inscrição e exigências excessivas, o que facilita o retorno aos estudos.
Foi essa oportunidade que despertou o interesse de Maria de Lourdes, de 67 anos, moradora de Águas Claras. Após décadas dedicadas à família e ao trabalho, ela decidiu retomar um sonho antigo.
Eu sempre quis estudar, mas a vida foi passando. Agora eu sinto que ainda dá tempo”, afirma.
Educação sem prazo
Mais do que uma oportunidade acadêmica, a iniciativa reflete uma mudança de olhar sobre o envelhecimento. A presença de estudantes idosos nas universidades contribui para a troca de experiências, fortalece vínculos sociais e amplia o debate sobre diversidade no ambiente educacional.
Ao abrir espaço para novos perfis, a universidade reafirma seu papel social e acompanha uma tendência crescente: o aprendizado ao longo da vida. Em uma capital marcada por contrastes, iniciativas como essa mostram que o acesso ao conhecimento não tem idade e que o futuro também pode começar depois dos 60.
Educação para idosos ainda é pouco explorada no Brasil
Apesar do avanço da população acima de 60 anos, a presença desse público no ensino superior ainda é reduzida no país. Dados do IBGE indicam que a maioria das pessoas idosas não teve acesso à universidade na juventude, reflexo de desigualdades históricas no acesso à educação.
Nos últimos anos, programas como o 60+ da Universidade de Brasília e iniciativas semelhantes em outras instituições têm ampliado esse cenário. A proposta vai além da formação acadêmica: promove inclusão social, estimula a autonomia e contribui para a saúde mental.
No Distrito Federal, ações voltadas ao envelhecimento ativo têm ganhado espaço, mas especialistas apontam que ainda há grande potencial de crescimento na oferta de vagas e políticas públicas específicas para esse público.




