DF tem 667 pacientes à espera de medula óssea e falta de estrutura pública agrava cenário

Sem hospitais credenciados pelo SUS para transplante alogênico, maioria precisa buscar tratamento fora da capital

Danieli Aguiar
Por Danieli Aguiar 3 Min Leitura
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Pacientes do DF enfrentam espera e precisam viajar para outros estados para realizar transplante de medula óssea pelo SUS, diante da falta de hospitais públicos credenciados na capitalImagem: Freepik
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O Distrito Federal tem 667 pacientes à espera de transplante de medula óssea, segundo dados do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Desse total, pelo menos 587 não conseguem realizar o procedimento na rede pública da capital, que atualmente não possui hospitais credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para esse tipo de transplante.

A única exceção é o Hospital da Criança de Brasília José Alencar, que atende exclusivamente pacientes de até 18 anos. Dentro desse perfil, há 80 pessoas cadastradas no Redome que poderiam ser contempladas.

Falta de estrutura limita atendimento

Os números se referem ao transplante alogênico, quando as células vêm de um doador compatível. Esse tipo de procedimento não é realizado na rede pública do DF desde 2020. Para quem depende do SUS, a alternativa é buscar atendimento em outros estados por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD).

Segundo a Secretaria de Saúde do DF, o encaminhamento ocorre após a definição do centro transplantador, seguindo as regras do Sistema Nacional de Transplantes. Ainda assim, pacientes relatam que a ajuda de custo oferecida não cobre nem metade das despesas com viagem, hospedagem e alimentação.

O Ministério da Saúde informou que não há impedimentos federais para que o DF retome o serviço. De acordo com a pasta, a responsabilidade pela oferta é do gestor local, que deve garantir estrutura adequada e equipes capacitadas.

Diferença entre os tipos de transplante

Embora o DF apareça como unidade credenciada, na prática só realiza o transplante autólogo, feito com células do próprio paciente. A explicação, segundo especialistas, está na complexidade do transplante alogênico.

De acordo com a hematologista Flávia Dias Xavier, do Hospital Universitário de Brasília, esse tipo de procedimento exige estrutura hospitalar mais avançada, incluindo isolamento específico e quimioterapias de alta complexidade, com custos elevados e protocolos mais rigorosos no SUS.

Pacientes enfrentam deslocamento e custos

Sem acesso ao tratamento na capital, pacientes precisam se deslocar para outros estados, muitas vezes sem rede de apoio. Foi o caso de Rita de Cássia, de 54 anos, diagnosticada com leucemia em 2022.

Após realizar quatro ciclos de quimioterapia no DF, ela foi informada da necessidade de um transplante. Dois anos depois, encontrou um doador compatível pelo Redome, mas precisou viajar até Jaú, no interior de São Paulo, para realizar o procedimento no Hospital Amaral Carvalho.

A realidade enfrentada por Rita reflete a de centenas de pacientes do DF, que aguardam não apenas um doador compatível, mas também condições adequadas para realizar o tratamento sem precisar sair de casa.

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