O realismo que salva: lições de Aristóteles para sobreviver tentações da ilusão cotidiana

Pergunte-se: o que eu realmente desejo do mundo e das suas possibilidades?

Rodrigo Santana
Por Rodrigo Santana  - Psicólogo 4 Min Leitura
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Entre o excesso de estímulos digitais e o silêncio do mundo real, a escolha revela onde construímos sentido, equilíbrio e verdade Imagem: IA
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Estamos no ano de 2026, vivendo imersos em bolhas: bolhas virtuais, onde temos algoritmos que nos “alimentam” de “informação”, realidades personalizadas em nossos interesses, deepfakes que distorcem a verdade. Temos as bolhas de autoajuda, que juram mudar e reinventar nosso “eu”; bolhas políticas, onde a verdade está no meu grupo e o adversário não existe e não deve ser considerado; e por fim as bolhas de percepção, que vendem que podemos ser e fazer o que quisermos, tudo em busca do prazer sem limites e do reforço imediato de dopamina. Essas bolhas acabam criando ilusões cotidianas que nos afastam da realidade.

Homem: ser racional ou animal político?

Mas e se tivéssemos a oportunidade de buscar um antídoto para essas ilusões e que para isso precisássemos recorrer à ideias e pensamentos mais antigos e robustos? Aristóteles e Tomás de Aquino, com sua visão antropológica do ser humano racional enraizado no real, nos oferecem vantagens práticas e profundas para navegar esse caos.

Resumidamente, Aristóteles, em sua Ética a Nicômaco, entendia o homem como um “animal político”, um ser finito, único e perfectível pela prática das virtudes. Para ele, viver o realismo é abraçar as suas limitações: reconhecer que a nossa felicidade surge da harmonia com a realidade objetiva e não somente com as fantasias e ilusões. Trazendo essa ideia para os dias atuais, a Organização Mundial da Saúde, em estudos recentes, mostram que o vício em telas aumenta 40% os casos de ansiedade entre os jovens. Veja, optar pelo realismo aristotélico, caminhar no mundo físico, cultivar hábitos virtuosos como coragem e a temperança, os reconecta a prudência, que nada mais é que a sabedoria prática que nos faz discernir o possível, factível ao ilusório.

Utopias digitais como metaversos vazios

Identificar o realismo nas nossas vidas, a razão e a ordem das coisas no mundo, nos liberta da tirania das opiniões efêmeras. Na esfera pública, por exemplo, pode impulsionar políticas realistas: em vez de utopias digitais como metaversos vazios, investimos em educação que forma cidadãos virtuosos, capazes de julgar o bem comum pela luz da razão! (ou criar repertório comportamental do bom e velho bom-senso).

Viver o realismo não é retrocesso! Num mundo de simulações, quem se apega ao real – à amizade face a face, ao trabalho com contato direto, à contemplação das interações com as pessoas e com o mundo ao seu redor – ganha resiliência!

Aristóteles nos ensina a virtude como hábito; Ele mostra como combater a “grande ilusão” da era digital, onde o virtual suplanta o vital (um visionário, pois em sua época nem haviam computadores). Experimente: desligue o feed, olhe para o céu ao entardecer e pergunte: o que eu realmente desejo do mundo e das suas possibilidades? A resposta está no real, não no pixel.

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Posted by Rodrigo Santana Psicólogo
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Psicólogo, mestre em Saúde Pública e doutorando em Governança e Transformação Digital
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