Prova da CNH poderá ser feita em carros automáticos após nova resolução do Contran

Mudança permite aprendizado e exame prático com veículos de transmissão automática, enquanto especialistas apontam brechas legais sobre o uso de modelos manuais

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 3 Min Leitura
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Mudanças na CNH permitem prova prática em carros automáticos e reduzem exigências presenciaisImagem: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília
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A prova prática para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) agora poderá ser realizada em carros automáticos. A mudança acompanha a nova resolução nº 1.020 do Contran, que flexibilizou o processo e deixou de exigir que candidatos utilizem veículos específicos fornecidos por autoescolas. A liberação foi destacada pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, durante cerimônia realizada na última terça-feira (9).

Segundo o ministro, a medida corrige uma limitação histórica. Renan Filho afirmou que o Brasil era um dos poucos países que ainda não permitiam o aprendizado em automóveis automáticos, situação que, segundo ele, mantinha a percepção de que dirigir era excessivamente complexo. Para o governo, a mudança simplifica o processo e acompanha a evolução do mercado automobilístico.

O que diz a nova resolução

Após a publicação da norma, surgiram dúvidas sobre a obrigatoriedade ou não do carro manual na prova prática. Questionado pela CNN Brasil, o Ministério dos Transportes afirmou que o texto não menciona veículos automáticos ou manuais porque não restringe o tipo de transmissão que pode ser utilizada. Com isso, candidatos estariam livres para escolher o modelo adequado.

Especialistas apontam brecha jurídica

Para o advogado Allysson Botelho, especialista em direito de trânsito, existe uma brecha interpretativa criada pelo próprio silêncio da resolução. Ele afirma que essa omissão acompanha a modernização da frota brasileira e impede que os Detrans recusem a realização da prova com carros automáticos ou elétricos. Na avaliação dele, uma negativa seria ilegal por falta de base normativa.

O advogado também destaca que, caso haja recusa no exame, o candidato pode recorrer administrativamente e até buscar um mandado de segurança para garantir o direito de realizar a prova no veículo desejado.

O especialista Denner Liberalino concorda com a liberdade dada ao candidato, mas alerta para a estrutura dos departamentos estaduais. Ele afirma que a adaptação pode representar um desafio, já que os Detrans precisarão instalar equipamentos de fiscalização diretamente no veículo utilizado pelo aluno.

Outras mudanças na CNH

A resolução integra um pacote de alterações que também inclui conteúdo teórico gratuito e oferecido de forma online, além da possibilidade de buscar instituições credenciadas para quem preferir. As aulas práticas passam de 20 horas para apenas 2 horas obrigatórias, permitindo que cada candidato escolha o formato que melhor se encaixa na própria rotina.

O cidadão seguirá comparecendo presencialmente apenas às etapas essenciais, como coleta biométrica e exame médico.

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