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Netflix adapta O Clube do Crime das Quintas-Feiras 

Versão de Chris Columbus valoriza carisma dos protagonistas, mas falha em manter o equilíbrio ético da obra de Richard Osman

Danieli Aguiar
Por Danieli Aguiar 3 Min Leitura
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A adaptação cinematográfica de O Clube do Crime das Quintas-Feiras, dirigida por Chris Columbus (Harry Potter, Esqueceram de Mim) e lançada pela Netflix, enfrenta um dilema comum em transposições literárias: decidir o que fica de fora. O romance de Richard Osman é conhecido por entrelaçar mistério policial com confissões íntimas e segredos guardados ao longo de décadas. No entanto, no filme de pouco mais de duas horas, a amplitude dessas histórias é reduzida, e a narrativa aposta em uma versão mais simplificada.

O quarteto central continua sendo o grande trunfo da trama. A espiã Elizabeth (Helen Mirren), o psiquiatra Ibrahim (Ben Kingsley), o sindicalista Ron (Pierce Brosnan) e a enfermeira Joyce (Celia Imrie) vivem no luxuoso condomínio de Coopers Chase, onde uma série de assassinatos abala a rotina dos moradores. O carisma e a química entre os quatro garantem que o público se envolva com a história, e Mirren, em especial, se destaca no papel da líder astuta e imponente.

Relações bem construídas

O roteiro também se mostra eficaz ao retratar os vínculos que cercam os protagonistas. Entre eles estão a improvável amizade de Elizabeth com Bogdan (Henry Lloyd-Hughes), a aproximação da policial Donna (Naomi Ackie) com o grupo e a preocupação de Joanna (Ingrid Oliver) com a mãe, Joyce. Esses laços ajudam a criar a sensação de comunidade que marca tanto o livro quanto o filme.

Falta de equilíbrio moral

O maior problema está na perda da balança ética presente na obra original. Osman contrapõe personagens inocentes e culpados de forma a expor falhas humanas e condenar arquétipos contemporâneos como empresários gananciosos e criminosos obcecados por poder. No longa, esse contraponto se dilui, resultando em uma narrativa que, no fim, retrata o privilégio dos mais ricos como inabalável.

Um desfecho irregular

O terceiro ato intensifica os problemas de ritmo e de direção. A fotografia envernizada de Don Burgess (Forrest Gump) e a montagem acelerada de Dan Zimmerman (O Professor Aloprado) não se integram bem, o que gera desconforto visual, especialmente no clímax. A indecisão sobre o tom a adotar  entre o mistério idiossincrático do livro e a tentativa de agradar a todos os públicos da Netflix resulta em uma experiência menos ousada.

No livro, Osman investiga personagens e suas contradições, buscando corrigir injustiças e dar profundidade às relações humanas. Já a adaptação da Netflix entrega uma versão mais direta, mas também mais rasa, de uma história que nasceu para ser muito mais do que um simples quebra-cabeça policial.

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