Evitar longas esperas nos hospitais, receber atendimento rápido e ainda criar um vínculo com uma equipe de saúde. Tudo isso está ao alcance de quem procura uma Unidade Básica de Saúde (UBS). No Distrito Federal, 181 UBSs compõem a rede de Atenção Primária à Saúde (APS), porta de entrada para tratar situações de menor gravidade com mais agilidade e proximidade.
Mais do que locais de vacinação, essas unidades atendem uma ampla variedade de queixas, como febre, resfriado, enjoo, vômito, dor de garganta ou de ouvido, pressão alta, ferimentos leves, picadas, mordidas de animais, entre outros. São também o ponto de partida para acompanhar doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, além de promover ações de prevenção e saúde mental.
Quando o paciente procura a UBS, estabelece um vínculo com a equipe. Isso permite um cuidado contínuo e mais próximo, o que evita que problemas simples se agravem, explica Fernando Erick Damasceno, coordenador da Atenção Primária à Saúde da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF).
A procura direta por hospitais, no entanto, ainda é comum, mesmo nos casos leves. A diretora do Hospital Regional de Samambaia (HRSam), Elielma de Morais, chama atenção para um padrão recorrente: pessoas classificadas como azul ou verde — indicativo de baixa gravidade — aguardam atendimento por horas quando poderiam ter sido assistidas com rapidez em uma UBS.
Esses pacientes têm maior demora nas emergências, enquanto os mais graves exigem prioridade.
Os dados confirmam o desvio. Só em junho de 2025, mais da metade dos atendimentos de urgência no HRSam (56,68%) foram de pacientes com classificação azul ou verde — casos que as UBSs podem resolver com tranquilidade. Com esse volume, o pronto-socorro acaba sobrecarregado, comprometendo o atendimento de quem realmente precisa de cuidados imediatos, como os classificados com prioridade amarela, laranja ou vermelha.
Atendimento à mulher
O mesmo ocorre na emergência obstétrica do hospital. Cerca de 60% das mulheres que procuram o local estão com quadros leves ou sequer apresentam queixas clínicas. A recomendação, nesses casos, é buscar a UBS, que acompanha o pré-natal e encaminha à rede hospitalar apenas se houver sinais de risco, como dor intensa, sangramento ou ausência de movimentos fetais.
Para saber qual UBS atende sua região, basta acessar a página Busca Saúde UBS e informar o CEP. A unidade de referência é determinada conforme a área de cobertura do SUS, geralmente próxima da residência ou do trabalho. No portal Siga APS, também é possível consultar horários — a maioria das unidades funciona de segunda a sexta, das 7h às 19h, com parte delas em horários estendidos e atendimento aos sábados.
Optar pela UBS, quando possível, é mais do que uma escolha prática. É um passo rumo a um cuidado de saúde mais humano, resolutivo e contínuo — e, ao mesmo tempo, uma forma de garantir que os hospitais estejam disponíveis para quem mais precisa.




