Brasília nasceu do sonho de um Brasil integrado e plural. Hoje, esse espírito ganha novos contornos com a presença de imigrantes, refugiados e apátridas que veem no Distrito Federal não apenas um destino, mas uma chance real de reconstruir a vida. Segundo dados do Sistema de Registro Nacional Migratório (Sismigra), mais de 24 mil pessoas de 149 nacionalidades vivem no DF. Esse cenário revela um território que não apenas abriga, mas acolhe.
A resposta do Governo do Distrito Federal (GDF) tem sido à altura da demanda. Em junho de 2024, foi sancionada a Lei nº 7.540, que institui a Política Distrital para a População Imigrante. A legislação garante acesso a serviços públicos e reforça direitos sociais, com foco na diversidade e na inclusão.
Entre os avanços mais significativos, destaca-se o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Migrantes. Inaugurado em novembro de 2024, o espaço oferece atendimento voltado a pessoas em situação de vulnerabilidade decorrente da migração. Localizado no Setor Bancário Norte, o centro é porta de entrada para informações sobre documentação, benefícios sociais e integração às políticas públicas.
Nossa prioridade é acolher com empatia e respeito, afirma Sophia Afonso, especialista da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes). A migração já é um processo marcado por rupturas. Nosso papel é construir pontes.
Um exemplo dessa reconstrução é o casal cubano Aimé Torres Penalver e Pablo Morales Ruiz. Após enfrentarem dificuldades com alimentação e medicamentos em Cuba, decidiram buscar segurança em Brasília. Desde julho de 2023, são acompanhados pelo Creas. Hoje, recebem apoio do programa RenovaDF e do benefício Prato Cheio.
Quando chegamos, nos sentimos perdidos. Agora temos apoio, informação e esperança”, conta Aimé. Ela se capacitou em diferentes áreas, mas sonha em trabalhar como podóloga. Pablo, por sua vez, busca um emprego formal.“Queremos estabilidade, e Brasília nos dá isso, completa.
O trabalho do Creas Migrantes vai além do atendimento emergencial. A equipe traça estratégias personalizadas, encaminha os assistidos ao Cadastro Único e, conforme a vulnerabilidade diminui, transfere o acompanhamento para os Centros de Referência de Assistência Social (Cras). Até agora, mais de 6.600 estrangeiros foram inseridos no CadÚnico. Venezuelanos lideram os registros, seguidos por cubanos e haitianos.
Atuação conjunta
A atuação conjunta das secretarias reforça a rede de apoio. A Sejus-DF coordena ações de enfrentamento ao tráfico de pessoas e combate à xenofobia. Já a Secretaria de Saúde elaborou um guia que orienta o acesso de migrantes ao SUS.
No Distrito Federal, acolher não é apenas uma diretriz administrativa. É uma prática cotidiana, moldada por histórias de superação como a de Aimé e Pablo. Em meio a tantos desafios, Brasília reafirma seu compromisso: ser uma cidade onde todos — de qualquer origem — possam recomeçar com dignidade.




