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Lula reage às sanções de Trump e promete resistência: “O Brasil não vai abaixar a cabeça”

Presidente critica duramente Bolsonaro e defende medidas de reciprocidade contra tarifa dos EUA

Redação
Por Redação 4 Min Leitura
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (11), que o Brasil está pronto para enfrentar as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos. Em discurso firme, Lula destacou que o país tem o apoio popular para resistir às pressões do governo de Donald Trump e rechaçou qualquer tipo de intimidação.

Esse país não baixará a cabeça para ninguém. Ninguém vai nos intimidar com discursos ou bravatas, disse o presidente, durante evento em Linhares, no Espírito Santo, que marcou o lançamento das indenizações aos atingidos pela tragédia de Mariana, em Minas Gerais.

A decisão de Trump de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros gerou críticas de diversos setores. Empresários, trabalhadores, parlamentares, movimentos sociais e veículos de comunicação se uniram em repúdio à medida considerada abusiva.

Lula defendeu a aplicação da Lei de Reciprocidade caso as negociações diplomáticas não avancem. Ele rebateu a justificativa do ex-presidente norte-americano, que alega um suposto déficit comercial dos EUA com o Brasil. “Entre comércio e serviços, quem tem déficit com eles somos nós. Eu é que deveria taxar ele”, ironizou Lula, acusando Trump de estar “mal informado”.

Críticas a Bolsonaro

No mesmo discurso, Lula voltou a criticar Jair Bolsonaro. Segundo ele, o ex-presidente, investigado por supostamente conspirar contra a democracia, age para prejudicar o Brasil no exterior a fim de proteger seus próprios interesses.

Lula questionou a postura de Bolsonaro diante das investigações do Supremo Tribunal Federal. “Que tipo de homem não enfrenta as acusações de cabeça erguida para provar sua inocência? Quem está denunciando ele não é o PT, são generais e o próprio ajudante de ordens”, afirmou.

O presidente também mencionou a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro, que viajou aos EUA, após se licenciar da Câmara, para pedir apoio a Trump em defesa do pai. “O cidadão manda o filho se afastar da Câmara para implorar: ‘Trump, salva meu pai, não deixa ele ser preso’. É preciso ter vergonha na cara”, declarou Lula.

A Procuradoria-Geral da República acusa Bolsonaro de liderar um plano golpista para anular o resultado das eleições de 2022. A estratégia envolveria pressão sobre as Forças Armadas e até supostos planos de atentado contra autoridades, incluindo Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Alexandre de Moraes.

Nas redes sociais, Bolsonaro reagiu elogiando Trump e associando as tarifas à “perda dos compromissos históricos do Brasil com a liberdade”. Ele e seus aliados negam as acusações de tentativa de golpe.

Bastidores de uma disputa geopolítica

Analistas ouvidos pela Agência Brasil apontam que as sanções de Trump têm motivações que vão além da economia. As tarifas seriam uma forma de pressão política contra o alinhamento do Brasil ao Brics, contra a regulação das big techs e, principalmente, uma tentativa de interferência nos rumos internos do país.

Lula encerrou sua fala convocando a população à unidade e reafirmando que o Brasil defenderá sua soberania sem medo de ameaças externas.

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