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Filhotes de capivara atropelados no Lago Sul recebem cuidados no Hfaus

Hospital pioneiro no Brasil luta para devolver animais silvestres à natureza após traumas e acidentes

Redação
Por Redação 4 Min Leitura
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O hospital é referência no resgate e reabilitação da fauna silvestre no DF, com equipes que lutam diariamente para devolver esses animais à naturezaImagem: Tony Oliveira/Agência Brasília
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Os dois filhotes de capivara que sobreviveram a um atropelamento coletivo no Lago Sul lutam pela vida sob cuidados intensivos no Hospital e Centro de Reabilitação da Fauna Silvestre do Distrito Federal (Hfaus). O atropelamento de uma manada, que resultou na morte de 12 capivaras, comoveu moradores da região e levantou debates sobre a responsabilidade dos motoristas diante da fauna local. O responsável pelo atropelamento, que fugiu sem prestar socorro, já foi identificado.

Segundo o biólogo Thiago Marques, coordenador do Hfaus, os filhotes chegaram em estado crítico. Um deles apresentou sinais de traumatismo craniano, desidratação e hipotermia. Ambos seguem em tratamento intensivo, recebendo medicação para aliviar dores e tratar as lesões.

Ainda buscamos estabilizar o quadro clínico e garantir conforto durante o tratamento, afirma o especialista.

Quando estiverem recuperados, os animais seguirão para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), vinculado ao Ibama, onde passarão por uma nova avaliação. Além da saúde física, será observado o comportamento social, já que as capivaras vivem em grupo e precisam estar aptas a conviver em bandos. Caso não estejam em condições de retornar à natureza, o Ibama definirá o destino adequado.

Lei obriga socorro a animais atropelados

A omissão em situações como essa pode ter consequências legais no Distrito Federal. A Lei nº 7.283, sancionada em 2023, obriga motoristas, motociclistas e ciclistas a prestarem socorro a animais atropelados em vias públicas. O descumprimento da norma prevê multa de R$ 1 mil.

A tenente Thays Gonçalves, porta-voz do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, destaca a importância da população acionar as autoridades em acidentes com animais.

Basta ligar para o 190 ou 193. O atendimento funciona 24 horas, todos os dias. A comunicação rápida pode salvar vidas e evitar sofrimento desnecessário, alerta.

Segundo a oficial, a omissão no atropelamento do Lago Sul pode ter custado a vida de outros animais da manada.

Se o socorro tivesse sido acionado a tempo, talvez o desfecho fosse menos trágico, lamenta.

Em situações assim, a recomendação é simples: parar em local seguro, sinalizar a via para evitar novos acidentes e buscar ajuda imediatamente. Além da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, é possível contatar o Brasília Ambiental pelo (61) 3214-5637 ou a Linha Verde do Ibama, pelo 0800-61-8080.

Atendimento pioneiro no país

Inaugurado em março de 2024, o Hfaus já tratou mais de 2,5 mil animais silvestres vítimas de atropelamentos, queimadas, tráfico e outros acidentes. O hospital funciona 24 horas e reúne uma equipe multidisciplinar, formada por veterinários, biólogos e especialistas em comportamento animal.

A estrutura respeita as necessidades naturais de cada espécie. Os espaços são divididos por grupos — mamíferos, répteis e aves — para reduzir o estresse e garantir um ambiente mais próximo do habitat natural.

O Hfaus é resultado de uma parceria entre o setor público e a iniciativa privada, envolvendo órgãos como o Instituto Brasília Ambiental, Ibama, Secretaria de Meio Ambiente, Batalhão Ambiental da PMDF e Corpo de Bombeiros.

O objetivo vai além do tratamento: busca-se a recuperação completa e o retorno seguro dos animais à natureza. A história dos filhotes de capivara ainda não terminou, mas já revela o impacto positivo da dedicação humana em preservar a vida silvestre.

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