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TEA: por trás do olhar, uma luta invisível

Histórias, avanços e desafios no DF mostram que empatia ainda é o que falta para a inclusão acontecer de verdade

Giza Soares
Por Giza Soares 4 Min Leitura
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A psicóloga Aline Paz, especialista em neuropsicologia, destaca os impactos emocionais do capacitismo e defende acolhimento e apoio incondicional às pessoas com TEAImagem: Arquivo pessoal
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Abril chegou e, com ele, uma convocação: olhar com mais empatia para o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Desde 2007, quando a ONU – Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado anualmente em 2 de abril, o mês passou a representar a luta por visibilidade, respeito e inclusão. Em 2025, o tema escolhido para a campanha no Brasil é: “Informação gera empatia, empatia gera respeito.”

No Distrito Federal, o Abril Azul também representa um convite para transformar informação em atitude. Luiz, de 32 anos, morador de Ceilândia (nome fictício dado pela reportagem para preservar a identidade da fonte), recebeu o diagnóstico apenas na vida adulta. “O mundo ainda não está preparado para acolher, muito menos para compreender. As pessoas me olham e dizem: ‘Mas você nem parece autista’. Isso dói. Não sabem o quanto é difícil lidar com coisas simples que, pra mim, não são simples”, relata.

Apesar dos avanços, Luiz sente falta de informação acessível, escuta qualificada e apoio constante às famílias. “A gente precisa aprender desde cedo a lidar com o que sente — e isso começa com o acolhimento”, afirma.

A psicóloga Aline Paz, especialista em neuropsicologia, alerta para os danos do preconceito velado. “O capacitismo sutil e a falta de conhecimento sobre o espectro autista afetam o bem-estar emocional de pessoas com TEA, causando sensação de inadequação, baixa autoestima e exaustão mental devido à constante necessidade de mascaramento”, explica. O mascaramento é a tentativa de esconder traços autistas para se adaptar às expectativas sociais — um esforço diário, invisível e desgastante.

Caminhos que se abrem

O Governo do Distrito Federal (GDF) tem avançado com a criação do primeiro Centro de Referência Especializado em Autismo, que funcionará no Plano Piloto, além dos quatro Centros Especializados em Reabilitação (CERs), que oferecem diagnóstico e atendimento multidisciplinar. Também investe na formação de profissionais de saúde e na educação inclusiva na rede pública.
Fora do governo, entidades como a AMA/DF – Associação dos Amigos dos Autistas; ABRACI – Associação Brasileira de Autismo Comportamento e Intervenção e o Movimento Orgulho Autista Brasil oferecem acolhimento, terapias e defesa de direitos, atuando onde o poder público ainda não alcança e fortalecendo famílias que se sentem isoladas.

Aline reforça a importância da conscientização coletiva. “Buscar conhecimento sobre o autismo é essencial para compreender, acolher e apoiar pessoas no espectro. Isso contribui para romper estigmas sobre o funcionamento neurodivergente.” Para ela, mais do que políticas públicas, é preciso oferecer vínculos afetivos e respeito. “Apoio e aceitação incondicional criam o ambiente ideal para o desenvolvimento de quem tem TEA”, conclui.
O Abril Azul é um chamado à escuta, ao aprendizado e à mudança de atitudes. Mais do que vestir azul, é preciso transformar o olhar. Inclusão começa com respeito — e respeito se aprende com empatia.Projetos e contatos de apoio ao autismo no DF

Projetos e contatos de apoio ao autismo no DF

  • Atendimento especializado a pessoas com TEA e famílias
    – em implantação
  • CERs – Centros de Reabilitação Diagnóstico e acompanhamento multidisciplinar
    – (61)3449-6683
  • Escolas públicas inclusivas Acesso à educação adaptada para alunos com TEA
    – Rede pública do DF
  • Capacitação de servidores da saúde Formação para melhor atendimento na rede pública
    – Rede SES/DF
  • AMA-DF (Associação dos Amigos dos Autistas do DF) Apoio terapêutico, educação e suporte familiar
    – (61)3399-4555
  • ABRACI (Associação Brasileira de Autismo, Comportamento e Intervenção)
  • Atendimento com base na Análise do Comportamento (ABA)
    – (61)3976-5112 / (61)99106-0034
  • MOAB (Movimento Orgulho Autista Brasil) Defesa dos direitos das pessoas com autismo
    – (61) 99909-8192 / (61)98404-8555

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