Governo Trump vai usar Itaipu para abastecer empresas norte-americanas

Estrutura voltada a serviços de computação em nuvem deve começar a operar em 2027; acordo foi anunciado sem participação do governo brasileiro

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
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Delegação americana visita a Usina de Itaipu, na fronteira entre o Brasil e o ParaguaiImagem: Divulgação
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parceria entre uma empresa americana e uma desenvolvedora paraguaia para construir uma estrutura de computação de alto desempenho abastecida pela energia hidrelétrica da Usina de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai. A primeira fase do projeto tem previsão de entrar em operação em meados de 2027 e deverá atender clientes de serviços de computação em nuvem dos Estados Unidos e da América Latina.

O acordo foi firmado entre a Crusoe, empresa americana especializada em infraestrutura para inteligência artificial, e a Araico, desenvolvedora paraguaia de projetos de energia e infraestrutura. O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos durante uma visita de representantes do governo americano ao Paraguai.

Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre a capacidade de geração destinada ao projeto, o volume de energia contratado ou o valor do investimento das empresas.

Brasil não participou das negociações

Embora a estrutura deva utilizar energia produzida por Itaipu, o Brasil não foi citado no anúncio do governo americano. A usina é administrada conjuntamente pelo Brasil e pelo Paraguai, e a divisão da energia gerada segue as regras estabelecidas pelo tratado assinado entre os dois países em 1973, que garante a cada um o direito a 50% da produção.

Ao g1, a Itaipu informou que não interfere na demanda nacional de cada país e que projetos dessa natureza não são de competência da usina.

A empresa também esclareceu que a visita da delegação americana ocorreu no lado paraguaio da hidrelétrica, sem a participação da diretoria de Itaipu ou do governo brasileiro. A agenda foi organizada pelo Paraguai, e iniciativas desse tipo podem ocorrer sem a necessidade de autorização do outro país.

Aproximação entre Estados Unidos e Paraguai

O anúncio ocorreu durante a visita do vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, ao Paraguai, entre segunda-feira (19) e quarta-feira (21). Durante a passagem pelo país, ele se reuniu com o presidente paraguaio, Santiago Peña, e com o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano.

As reuniões tiveram como objetivo discutir formas de ampliar a cooperação econômica e estratégica entre os dois países. Segundo o Departamento de Estado americano, uma delegação empresarial também avaliou oportunidades de investimento em tecnologia, minerais críticos, infraestrutura fluvial e logística.

Em publicação sobre a visita, Juan Pablo Segura, secretário de Estado assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, afirmou que a energia de Itaipu pode favorecer a inovação e atrair investimentos americanos para o Paraguai.

Outros investimentos e acordos anunciados

Além do projeto de computação, a empresa americana Uranium Energy Corp. anunciou um investimento de US$ 12 milhões para desenvolver uma concessão de urânio no Paraguai.

Na área de segurança, os dois governos assinaram um acordo de assistência para interceptação aérea, com o objetivo de ampliar a capacidade paraguaia de monitorar e proteger seu espaço aéreo contra voos suspeitos de transportar drogas.

Os Estados Unidos também anunciaram US$ 5,5 milhões em assistência para ações de combate ao financiamento do terrorismo, ao narcotráfico e para o reforço da segurança nas fronteiras. Outros US$ 6,25 milhões serão destinados à cooperação bilateral contra o crime organizado transnacional.

Os países ainda iniciaram negociações para estabelecer um acordo de cooperação no uso pacífico da energia nuclear. Caso o entendimento entre em vigor, será criado um marco legal para permitir que empresas americanas exportem equipamentos e materiais nucleares para o Paraguai, sob regras de segurança e não proliferação.

As iniciativas fazem parte dos esforços dos Estados Unidos para ampliar sua presença econômica e estratégica no Paraguai, com investimentos em energia, tecnologia, infraestrutura e segurança.

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