Nos últimos 20 anos, o número de diagnósticos de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos aumentou em diferentes países. Na Inglaterra, a taxa registrada passou de um caso a cada 26 mil pessoas, em 2001, para um a cada 12 mil, em 2023, segundo dados do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (WCRF).
O avanço também foi observado em países da América Latina. Um estudo publicado em 2025, com dados de 50 países e territórios, identificou aumento dos casos de câncer colorretal de início precoce em 27 regiões. Chile, Argentina, Equador, Costa Rica e Porto Rico estão entre os locais que registraram crescimento.
Apesar dos números, pesquisadores ressaltam que ainda não é possível determinar quanto desse aumento representa novos casos da doença e quanto pode ser explicado pela ampliação da conscientização, pela realização de exames e pela identificação precoce dos tumores.
Câncer colorretal se destaca entre os jovens
Uma pesquisa publicada em 2025 analisou dados de 42 países entre 2003 e 2017 e identificou aumento de seis tipos de câncer entre adultos de 20 a 49 anos: tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia.
O câncer colorretal chamou a atenção dos pesquisadores por apresentar crescimento mais rápido entre os jovens do que entre os adultos mais velhos em cerca de um terço dos países analisados. Em alguns locais, também houve aumento de diagnósticos em estágios avançados, o que indica que a elevação não se limita à detecção precoce.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, considerando todos os tipos da doença. O câncer colorretal está entre os tumores que exigem atenção pela possibilidade de prevenção e detecção precoce.
Obesidade e alimentação estão entre os fatores de risco
A obesidade é reconhecida como fator de risco para pelo menos 13 tipos de câncer, segundo a Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma revisão de estudos publicada em 2021 apontou que adultos jovens com obesidade tinham quase o dobro de probabilidade de desenvolver câncer colorretal antes dos 50 anos.
Outros fatores associados ao risco incluem o consumo de carnes processadas, a ingestão de álcool e a falta de atividade física. Em contrapartida, uma alimentação rica em fibras, com frutas, verduras, leguminosas e grãos integrais, pode ajudar a reduzir o risco da doença.
Embora alimentos ultraprocessados e microplásticos também sejam investigados, especialistas destacam que as evidências sobre seus possíveis efeitos no desenvolvimento do câncer ainda são inconclusivas.
Hábitos saudáveis ajudam na prevenção
Pesquisadores recomendam manter um peso saudável, praticar atividade física regularmente, aumentar o consumo de frutas e verduras e reduzir a ingestão de carnes processadas. Também ressaltam a importância de políticas públicas que facilitem o acesso a alimentos saudáveis e incentivem uma rotina menos sedentária.
Apesar do crescimento dos diagnósticos, o câncer continua sendo relativamente raro entre adultos jovens. A orientação dos especialistas é ampliar as pesquisas, fortalecer a prevenção e valorizar a identificação precoce, sem ignorar sintomas persistentes ou fatores de risco individuais.



