Alcolumbre articula reeleição no Senado e busca apoio até no PL

Presidente da Casa negocia cargos, gabinetes e alianças políticas para permanecer no comando em 2027, independentemente de quem vencer a disputa presidencial

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 6 Min Leitura
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As negociações envolvem cargos, alianças partidárias e a busca por votos para garantir sua reeleiçãoImagem: Waldemir Barreto/Agência Senado
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O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), intensificou as articulações para disputar a reeleição ao comando da Casa em 2027. A estratégia inclui negociações com parlamentares de diferentes partidos e a tentativa de dividir o apoio do PL, que anunciou a intenção de lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN) como adversário.

A movimentação ganhou força após o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, declarar que a legenda não apoiará a permanência de Alcolumbre no cargo. O partido elegeu 19 novos senadores nas eleições de 2026 e deverá contar com uma bancada de 29 parlamentares, ampliando sua influência nas decisões do Congresso.

Na última semana, Alcolumbre também tomou decisões favoráveis a pautas de interesse do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entre elas a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

Disputa com Rogério Marinho

O conflito entre Alcolumbre e Marinho ficou público na quinta-feira (15), durante uma sessão no plenário do Senado. O presidente da Casa retirou a PEC da Segurança da pauta, o que levou o senador do PL a questionar os motivos da decisão.

Marinho perguntou se a retirada atendia a um pedido do governo. Alcolumbre negou e afirmou que a decisão havia sido tomada pela Presidência do Senado. Diante da insistência do adversário, confirmou que a decisão cabia a ele e concordou com a necessidade de mudanças no regimento, após Marinho criticar a concentração de poder na condução dos trabalhos.

Uma das estratégias de Alcolumbre é conquistar votos dentro do próprio PL. Entre os parlamentares da legenda que mantêm proximidade política com ele está Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado.

Segundo aliados, Gomes poderá ser escolhido relator do Orçamento de 2027. A indicação representaria uma mudança em relação a um acordo político anterior, que previa a escolha de um senador do MDB, e funcionaria como um sinal de aproximação com integrantes do PL.

Alianças para garantir votos

Alcolumbre também busca apoio de outras legendas para fortalecer sua candidatura. Na terça-feira (13), os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Otto Alencar (PSD-BA), líderes de seus partidos, declararam apoio à reeleição do atual presidente.

Nos bastidores, aliados estimam que Alcolumbre pode reunir entre 44 e 49 votos. A referência é a eleição de 2023, quando Rogério Marinho disputou a presidência do Senado contra Rodrigo Pacheco e perdeu por 49 votos a 32.

Na ocasião, o PL ficou sem o comando de comissões e sem espaço na Mesa Diretora durante dois anos. Em 2025, a legenda optou por apoiar Alcolumbre, evitando uma nova disputa pelo comando da Casa.

A articulação também envolve a acomodação dos novos senadores. Nas últimas semanas, Alcolumbre conversou com parlamentares eleitos e reeleitos sobre a distribuição de gabinetes e apartamentos funcionais. As negociações incluem ainda cargos vinculados à Presidência do Senado, que podem ser ocupados por indicações de aliados.

A estratégia busca ampliar sua rede de apoio, inclusive entre adversários políticos. Um dos exemplos é a senadora eleita Rayssa Furlan (PSD-AP), que derrotou candidatos apoiados por Alcolumbre no Amapá.

Vaga no STF entra no cenário político

Outro ponto que pode influenciar as negociações é a indicação de um novo ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF). Alcolumbre defende o nome de Rodrigo Pacheco para a Corte e mantém interlocução com Lula sobre a possibilidade.

A rejeição de Jorge Messias, advogado-geral da União, pelo Senado foi articulada após o presidente da Casa demonstrar insatisfação com a escolha do governo. Para aliados de Alcolumbre, o episódio também serviu como recado aos dois possíveis ocupantes do Palácio do Planalto a partir de 2027.

Caso Lula permaneça na Presidência, a indicação de Pacheco poderia garantir ao atual presidente do Senado uma escolha alinhada às suas preferências. Se Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vencer a eleição presidencial, Pacheco poderia representar um aliado de Alcolumbre no Supremo em meio às pressões relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes.

A eventual ida de Pacheco ao STF também abriria uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), ampliando as possibilidades de negociação política. Parlamentares contrários à reeleição de Alcolumbre avaliam que essa vaga poderia até ser destinada ao próprio senador caso ele perca a disputa pelo comando do Senado.

As articulações indicam que Alcolumbre pretende construir uma base de apoio capaz de atravessar diferentes cenários eleitorais. A disputa de 2027, portanto, deve envolver não apenas a força das bancadas partidárias, mas também negociações por cargos, influência institucional e espaço nas principais decisões do Congresso.

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