O segundo turno começou a mudar o desenho político do Distrito Federal. Depois de uma disputa apertada, Celina Leão (PP) e Leandro Grass (PT) voltaram às ruas em busca dos votos de quem ficou pelo caminho. E, junto com eles, começaram a se movimentar também os grupos políticos que participaram do primeiro turno.
Celina terminou a primeira etapa com 825.530 votos, 49,93% dos votos válidos, ficando a apenas 168 votos da maioria necessária para vencer no primeiro turno. Agora, além de conquistar eleitores, a candidata busca ampliar sua base política.
Entre as primeiras adesões está a de Kiko Caputo (Novo), que terminou a disputa pelo governo em quarto lugar, com 72.148 votos. O apoio foi anunciado depois de Celina assinar uma carta de compromissos apresentada pelo Novo.
A decisão não apagou as críticas feitas por Kiko durante a campanha. Pelo contrário. Ao anunciar o apoio, ele deixou claro que a escolha foi resultado de uma aproximação política construída a partir de pontos em comum.
Apesar de termos severas críticas à forma da condução do governo, nós temos uma concordância ideológica que nos impõe estar com ela agora”, afirmou Kiko.
Um reencontro com a política do DF
Outro movimento chamou atenção nesta quinta-feira (8). Em Ceilândia, a ex-governadora Maria de Lourdes Abadia declarou apoio a Celina. As duas têm uma história política que vem de longe, desde o período em que Celina integrou governos ligados ao grupo de Joaquim Roriz.
Abadia também apresentou suas condições. Entre as prioridades citadas estão a construção dos hospitais do Câncer e do Idoso e de um centro de convivência para idosos.
Eu fiquei muito feliz porque tive a oportunidade de ser secretária do Roriz e da Maria. E a gente sabe onde está o coração dela: que é cuidar das pessoas”, afirmou Celina durante o encontro.
A aproximação ganha ainda mais significado porque Abadia havia apoiado Paula Belmonte no primeiro turno. Agora, diante de uma nova configuração eleitoral, decidiu caminhar ao lado de Celina.
Cada grupo escolhe seu caminho
A movimentação, porém, não acontece em uma única direção. Ricardo Cappelli (PSB), que também disputou o governo, declarou apoio a Leandro Grass. Paula Belmonte (PSDB), terceira colocada no primeiro turno, optou pela neutralidade e deixou seu eleitorado livre para decidir.
Celina também anunciou a aproximação com integrantes do grupo político de José Roberto Arruda. A candidata, no entanto, fez uma distinção importante entre o apoio de integrantes do grupo e uma declaração pessoal do ex-governador.
Eu recebi um apoio do grupo do Arruda, o pessoal de rua do Arruda. O pessoal histórico dele foi muito importante”, disse.
O segundo turno, portanto, começa a revelar uma eleição que não será disputada apenas entre dois nomes. Nos bastidores, antigos adversários conversam, alianças são refeitas e compromissos são colocados sobre a mesa.
Até 25 de outubro, o eleitor do DFl verá não apenas duas campanhas, mas também o resultado dessas novas aproximações e terá novamente a palavra final nas urnas.



