Cinco novos CAPS devem ser implantados no DF até 2027, mas enfrentam resistência de moradores

Unidades estão previstas para Taguatinga, Ceilândia, Guará, Gama e Recanto das Emas; especialistas defendem diálogo com comunidades e destacam baixa cobertura de saúde mental na capital

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 5 Min Leitura
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As principais reclamações envolvem segurança, impactos ambientais e a preferência por outros usos para os terrenos públicosImagem: Reprodução
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O Distrito Federal deve ganhar cinco novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) até 2027, mas a implantação das unidades tem provocado resistência entre moradores das regiões onde os equipamentos estão previstos. As principais reclamações envolvem segurança, impactos ambientais e a preferência por outros usos para os terrenos públicos.

Os novos Caps estão planejados para Taguatinga, Ceilândia, Guará, Gama e Recanto das Emas. Até o momento, apenas a unidade do Gama começou a funcionar, em julho. A expansão considera a baixa cobertura de saúde mental do DF, que possui um dos menores índices do país.

A subsecretária de Saúde Mental do DF, Fernanda Falcomer, afirma que parte da resistência está relacionada à falta de informação sobre o funcionamento dos serviços. Segundo ela, conteúdos publicados nas redes sociais também contribuem para reforçar o estigma em torno dos Caps e das pessoas que buscam atendimento.

Atendimento dentro das comunidades

O modelo de assistência em saúde mental adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) prevê que os Caps estejam inseridos nos bairros. A proposta busca oferecer tratamento próximo à comunidade e contribuir para a reabilitação e a convivência social dos pacientes.

Para Falcomer, os terrenos utilizados para as unidades já possuem previsão de receber equipamentos públicos. Ela defende que a população compreenda a função desses espaços dentro da rede de saúde mental.

Em Taguatinga, porém, moradores questionam a utilização de um terreno que, segundo eles, permaneceu abandonado durante anos e passou a ser cuidado pela própria comunidade.

O professor de arquitetura e urbanismo da Universidade de Brasília (UnB), Frederico Flósculo, defende maior participação popular nas decisões sobre o uso dos espaços públicos. Para ele, audiências públicas poderiam contribuir para discutir a implantação dos equipamentos e a relação deles com os bairros.

O especialista também questiona a arquitetura de alguns Caps do DF, especialmente a presença de muros e estruturas que, na avaliação dele, podem dificultar a integração com a comunidade. Entre as alternativas apontadas estão áreas de convivência, hortas comunitárias e espaços de lazer.

Especialistas defendem aproximação com moradores

O professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Silvio Yasui, que atuou no primeiro Caps do Brasil, em São Paulo, afirma que a resistência às unidades já esteve presente em outros momentos da reforma psiquiátrica.

Segundo Yasui, o diálogo com os moradores pode ajudar a reduzir o estigma e aproximar a população dos serviços. Entre as possibilidades citadas estão eventos abertos à comunidade e ações que permitam aos moradores conhecer o funcionamento dos centros.

O Caps é voltado ao atendimento de pessoas em intenso sofrimento psíquico. O serviço oferece acolhimento, acompanhamento por equipe multiprofissional e ações de reabilitação, com tratamento voluntário.

DF ainda tem baixa cobertura

Mesmo com a expansão prevista, o Distrito Federal permanece entre as unidades da Federação com menor cobertura de Caps. Em 2025, Brasília registrou o segundo pior índice do país, atrás apenas do Amazonas.

De acordo com os dados citados na matéria, o DF passou de 18 para 19 unidades com a inauguração do Caps do Gama. A Secretaria de Saúde prevê a entrega do Caps do Recanto das Emas para outubro deste ano. Ceilândia e Taguatinga têm conclusão prevista para 2027, enquanto o projeto do Guará está em fase de contratação da obra.

A pasta também informa que outros sete Caps estão previstos para o período entre 2027 e 2029, condicionados à disponibilidade orçamentária e à existência de terrenos adequados.

Para quem precisa de atendimento, os Caps e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) são portas de entrada da rede pública de saúde mental. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia.

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