Andreia Salles leva experiência social para a disputa por uma vaga na CLDF

Jornalista e escritora, candidata do PSD aposta em mais de duas décadas de atuação social para defender mulheres, combater a dependência química e proteger a imprensa

Giza Soares
Por Giza Soares 7 Min Leitura
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Andreia Salles leva experiência social e jornalística para a disputa por uma vaga na CLDF. Imagem: Arquico pessoal
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Há quem entre na política começando pelo discurso. Andreia Salles prefere começar pela experiência.

Jornalista, empresária e escritora, ela construiu boa parte de sua trajetória em Brasília entre redações, projetos sociais e o contato direto com famílias que enfrentam situações que, muitas vezes, permanecem invisíveis aos olhos do poder público. Agora, essa experiência chega às urnas na disputa por uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Candidata a deputada distrital pelo PSD, Andreia tem o número 55200 e aparece com candidatura deferida nos registros eleitorais de 2026.

Mas talvez seja na própria história que esteja a melhor explicação para entender por que ela decidiu disputar uma eleição.

Minha caminhada na vida pública não começou em gabinetes, mas sim no contato direto com a dor e as necessidades das famílias do Distrito Federal”, afirma.

Da escuta às propostas

Há 23 anos, Andreia atua voluntariamente no acolhimento e na recuperação de pessoas que enfrentam a dependência química. Segundo a candidata, esse trabalho alcançou mais de cinco mil pessoas e suas famílias.

A experiência também a levou à coordenação do Movimento Brasil Sem Drogas no Distrito Federal, função que exerce há 11 anos. Nesse percurso, participou da articulação do então PLC 37, posteriormente sancionado como Lei 13.840/2019, que alterou a política sobre drogas e incluiu comunidades terapêuticas na Rede de Atenção Psicossocial em determinadas condições.

Para Andreia, a experiência deixou uma convicção: o combate às drogas não pode depender apenas da vontade de cada governo.

Sua proposta é transformar prevenção, acolhimento e apoio às famílias em uma política permanente.

Trabalho sério pode virar lei e, assim, transformar vidas”, resume.

É uma frase que ajuda a explicar a candidatura. Andreia tenta apresentar ao eleitor não apenas uma lista de propostas, mas uma trajetória que, segundo ela, começou muito antes da campanha.

Uma mulher falando de mulheres

A defesa da mulher aparece como outro eixo central de sua candidatura.

Andreia defende o fortalecimento das redes de proteção, das Delegacias da Mulher, dos programas de abrigo e de políticas capazes de oferecer autonomia econômica às vítimas de violência.

Mas ela amplia a discussão.

Fala de creches, capacitação profissional, empreendedorismo, cooperativismo, saúde mental e acesso ao mercado de trabalho.

Para a candidata, combater a violência também significa criar condições para que uma mulher consiga reconstruir a própria vida.

As taxas de violência contra a mulher no DF são alarmantes e exigem ação imediata”, afirma.

E há uma frase que se tornou uma espécie de síntese dessa bandeira: “não existe empoderamento feminino sem creche”.

Andreia defende ainda que mulheres precisam ocupar os espaços onde as decisões são tomadas.

Sem mulheres na política, não haverá política para as mulheres”, diz.

A ideia se conecta a outro princípio que ela repete ao apresentar suas propostas: “Nada sobre nós sem nós”.

É uma defesa de representatividade, mas também uma provocação sobre quem formula as políticas públicas e quem efetivamente conhece as dificuldades enfrentadas pelas mulheres no cotidiano.

Só uma mulher compreende as necessidades de outra mulher. Não podemos esperar que homens criem políticas públicas eficazes para nós, mulheres. Eles não enfrentam nossa realidade em transportes públicos, nas ruas escuras ou no ambiente de trabalho. Precisamos estar lá na hora de decidir.”

A jornalista que quer defender o jornalismo

A terceira frente da candidatura nasce da própria profissão.

Andreia trabalha com comunicação desde 1998 e já passou pelo Jornal de Brasília como colunista de reputação, compliance e leis anticorrupção. Também é escritora de romances históricos ambientados em Veneza e tem quatro obras publicadas, segundo as informações apresentadas pela candidatura.

Para ela, a defesa da imprensa não é uma pauta secundária.

É uma questão democrática.

Sou jornalista e por isso compreendo as dificuldades enfrentadas pela nossa categoria. Defendo, de forma intransigente, o direito de exercermos nossa profissão sem medo de agressões ou represálias”, afirma.

Entre as propostas apresentadas estão protocolos específicos de segurança para jornalistas em coberturas de risco, medidas de proteção aos profissionais de imprensa e iniciativas de educação midiática nas escolas.

A candidata também defende ações de combate à desinformação e de valorização do jornalismo.

Democracia sem imprensa não passa de propaganda”, afirma.

Uma candidatura construída na experiência

Moradora do Altiplano Leste há quase três décadas, Andreia diz ter construído sua plataforma a partir da escuta das diferentes regiões do Distrito Federal.

Sua visão para a capital é resumida em uma frase: “Um Distrito Federal acolhedor para as famílias e justo para as mulheres”.

No discurso, os temas são diferentes, mas há um fio que conecta todos eles: a experiência de quem afirma ter passado anos fora dos gabinetes, acompanhando problemas de perto.

Dependência química. Violência contra a mulher. Saúde mental. Autonomia financeira. Proteção aos jornalistas. Desinformação.

São assuntos que, para Andreia, não podem ficar restritos ao discurso eleitoral.

Transformar propósito em lei e indignação em trabalho social já é a minha vida há mais de duas décadas. Chegou a hora de levar essa experiência e essa coragem para a Câmara Legislativa do Distrito Federal”, afirma.

No fim, talvez seja essa a frase que melhor apresente a candidata ao eleitor: uma mulher que tenta transformar uma trajetória construída na sociedade civil em atuação dentro do Parlamento.

E Andreia faz questão de resumir a própria postura com uma sentença curta:

Quem acompanha minha caminhada sabe: minha palavra não faz curva.”

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