Vigilância Sanitária já interditou 125 estabelecimentos de estética no DF em 2026

Número de interdições é o maior já registrado no Distrito Federal e supera os 155 casos contabilizados durante todo o ano passado

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 3 Min Leitura
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Já é o maior registrado pelo órgão no DF em um único ano. Em 2025, foram 155 interdições, enquanto 2024 teve apenas 18.Imagem: Reprodução

A Vigilância Sanitária do Distrito Federal interditou 125 estabelecimentos de estética desde o início de 2026. O número, que inclui salões de beleza e clínicas, já é o maior registrado pelo órgão no DF em um único ano. Em 2025, foram 155 interdições, enquanto 2024 teve apenas 18.

O aumento ocorre em meio à intensificação das fiscalizações e ao crescimento das denúncias recebidas pela Ouvidoria do Governo do Distrito Federal. Até agosto deste ano, foram contabilizados 144 registros relacionados a possíveis irregularidades nesses estabelecimentos.

Procedimentos com agulhas exigem licença específica

A diretora da Vigilância Sanitária do DF, Márcia Olivé, explica que procedimentos que envolvem agulhas ou aplicações de substâncias injetáveis não podem ser realizados em salões de beleza comuns. Segundo ela, esse tipo de atendimento exige estabelecimento classificado como de alto risco e sujeito à vistoria prévia do órgão.

Durante a fiscalização, são avaliados documentos, habilitação dos profissionais, estrutura física, processos de trabalho e cumprimento das normas de biossegurança.

A Vigilância Sanitária também reforça que salões de beleza não estão autorizados a realizar procedimentos invasivos ou aplicar substâncias por meio de injeções.

Morte após aplicação em salão de Ceilândia

O alerta ganhou ainda mais atenção após a morte de Lidiane Gomes de Souza Alves, de 50 anos, que recebeu uma aplicação no glúteo de um suposto complexo multivitamínico em um salão de beleza de Ceilândia, no último dia 5.

A aplicação teria sido realizada com a promessa de tratar a queda de cabelo. A mulher que realizou o procedimento, Valéria Rodrigues de Sousa da Silva, teria se apresentado à família como biomédica, mas, segundo o Conselho Regional de Biomedicina, não possuía registro profissional.

O estabelecimento onde o procedimento ocorreu também não tinha licença sanitária nem cadastro na Vigilância Sanitária.

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga o caso. Segundo o delegado Petter Ranquetat, da 23ª Delegacia de Polícia, a apuração considera, entre outras possibilidades, o exercício irregular da medicina e homicídio, cuja classificação dependerá dos elementos reunidos durante a investigação.

Os policiais recolheram os frascos do produto utilizado na aplicação. O material será analisado, enquanto a investigação aguarda laudos do Instituto Médico-Legal e do Instituto de Criminalística para esclarecer a causa da morte e as circunstâncias do procedimento.

A Vigilância Sanitária orienta que procedimentos estéticos que envolvam aplicações injetáveis sejam realizados somente em estabelecimentos regularizados e por profissionais legalmente habilitados.

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