O Distrito Federal avança na construção de uma rede de atendimento às pessoas autistas, neurodivergentes e famílias atípicas. Centros de referência, iniciativas na educação e a Casa da Mãe Atípica integram ações do governo de Celina Leão que podem colocar Brasília em posição de destaque nas políticas de inclusão.
Nesse cenário, três mulheres ocupam espaços diferentes no debate político do DF. Celina, no Executivo; Michelle Bolsonaro, na disputa pelo Senado; e Giza TEA, candidata à Câmara Legislativa. Com trajetórias distintas, as três encontram pontos de convergência na defesa da inclusão e das famílias.
Durante evento acompanhado pelo Jornal Capital Federal, Celina falou sobre um novo centro de referência ligado à educação e destacou a intenção de levar a estrutura para outras regiões.
Eu quero um em cada região, porque o que as nossas professoras fazem hoje? Elas não têm aonde acolher depois esses meninos no contraturno, e é nesses locais que nós vamos acolher”, afirmou.
Outra iniciativa é a Casa da Mãe Atípica, em implantação no Parque da Cidade. O espaço amplia o olhar para além da pessoa que necessita de atendimento e alcança também quem dedica grande parte da vida ao cuidado.
Sobre as nossas mães atípicas, também lá no Parque da Cidade, a Casa da Mãe Atípica está quase ficando pronta”, disse Celina.
Michelle e a inclusão
Candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro leva para a disputa uma trajetória pública ligada à inclusão das pessoas com deficiência. Como primeira-dama, deu visibilidade à Língua Brasileira de Sinais (Libras) e participou de agendas voltadas à acessibilidade e às pessoas com deficiência.
Em uma de suas primeiras agendas oficiais, ao visitar famílias atendidas em um centro especializado, Michelle falou sobre como essa atuação começou junto à comunidade surda e posteriormente alcançou outras pessoas com deficiência e doenças raras.
A causa de vocês me toca e consigo me colocar no seu lugar”, declarou. Na mesma ocasião, defendeu a construção de “uma sociedade inclusiva” e com olhar especial para essas famílias.
O autismo também esteve presente em agendas das quais participou. Durante sua passagem pelo governo federal, Michelle esteve em ações de combate ao preconceito contra pessoas autistas e participou de iniciativa voltada à acessibilidade em cinemas para pessoas surdas, cegas e autistas.
Sua presença na disputa pelo Senado acrescenta uma dimensão nacional ao debate. É no Congresso que passam mudanças legislativas e decisões relacionadas a direitos das pessoas com deficiência, saúde, educação, assistência e políticas nacionais de inclusão.
Giza quer somar
É justamente na expansão dessa rede que Giza TEA vê a oportunidade de avançar ainda mais. Mulher autista e candidata a deputada distrital, ela defende que os novos centros integrem diferentes necessidades das pessoas neurodivergentes e de suas famílias.
Celina está construindo uma rede importante. Eu quero somar a esse trabalho trazendo para dentro desses espaços aquilo que escuto das famílias: mais acesso ao diagnóstico, acompanhamento e oportunidades para que mães atípicas também possam trabalhar e conquistar autonomia”, afirma Giza.
Para a candidata, o próximo passo é fazer com que inclusão e autonomia caminhem juntas.
Uma das demandas que Giza afirma receber das próprias mães atípicas é por oportunidades de trabalho e prestação de serviços nos novos equipamentos.
Essas mães não querem apenas ser cuidadas. Muitas querem trabalhar, ter renda e construir a própria autonomia. Se estamos criando novos centros, podemos pensar também em oportunidades para essas mulheres, respeitando a qualificação e os critérios necessários para cada função.”
Três forças
É nesse ponto que as três trajetórias podem se encontrar.
Enquanto Celina avança na implantação e expansão dos serviços pelo Executivo, Michelle busca chegar ao Senado levando um histórico de atuação ligado às pessoas com deficiência. Giza, por sua vez, apresenta uma pauta que pretende levar à Câmara Legislativa baseada na própria experiência como mulher autista e na escuta das famílias.
Se eleita, Giza poderá também alcançar um marco de representatividade: tornar-se a primeira mulher autista a ocupar uma cadeira na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Para ela, essa presença significa levar para dentro do Parlamento uma experiência que, historicamente, esteve muito mais presente entre aqueles que reivindicam políticas públicas do que entre aqueles que ajudam a construí-las.
A candidata defende um olhar que acompanhe a pessoa neurodivergente durante toda a vida: do acesso ao diagnóstico à educação, do trabalho ao envelhecimento.
Não basta pensar apenas na infância. Autistas crescem, mães envelhecem e as necessidades mudam. Precisamos construir uma política de inclusão para toda a vida. Porque inclusão não se constrói apenas para as pessoas com deficiência. Constrói-se com elas”, defende Giza.
O desafio agora é transformar iniciativas e compromissos em uma política capaz de atravessar diferentes governos e alcançar as regiões administrativas. Executivo, Câmara Legislativa e Congresso possuem competências distintas, mas podem atuar de maneira complementar.
Se Brasília conseguir unir estrutura, legislação, continuidade e a participação de quem vive essa realidade, poderá deixar de apenas avançar na inclusão para se tornar referência no país.



