Câmara aprova projeto que permite reduzir impostos sobre combustíveis com receita do petróleo

Texto amplia medidas para outros setores, retira R$ 2,5 bilhões em investimentos de defesa do limite do arcabouço fiscal e segue para o Senado

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 4 Min Leitura
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Combustíveis, defesa e novos incentivos entram no mesmo pacote aprovado pela CâmaraImagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
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A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (12) o projeto que autoriza o governo federal a utilizar receitas extraordinárias obtidas com a exploração de petróleo para reduzir impostos sobre combustíveis. A proposta também exclui dos limites do arcabouço fiscal até R$ 2,5 bilhões em investimentos na área de defesa. O texto segue agora para análise do Senado.

O projeto, que inicialmente tratava apenas de medidas para conter os efeitos econômicos da alta internacional do petróleo, recebeu novos dispositivos durante a tramitação. A relatora, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), incluiu benefícios fiscais para setores como minerais críticos e produção de fertilizantes, além de regras relacionadas à Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil.

Medidas para combustíveis

Pelo texto aprovado, o governo poderá reduzir tributos federais incidentes sobre óleo diesel rodoviário, biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação. A perda de arrecadação poderá ser compensada com receitas extraordinárias da União relacionadas ao setor de petróleo e gás.

Entre as fontes previstas estão royalties, participações especiais da União, impostos recolhidos por empresas do setor de óleo e gás e dividendos de empresas estatais ligadas à atividade.

A proposta também estabelece mecanismos para preservar a competitividade do etanol. Caso a tributação federal da gasolina seja reduzida em 30% ou mais, as alíquotas incidentes sobre o etanol deverão ser zeradas.

O governo também poderá conceder subvenções aos produtores de etanol para compensar eventuais perdas de competitividade. Para o período entre maio e agosto de 2026, o parecer prevê até R$ 1,2 bilhão em subvenções ao setor.

Defesa, saúde e educação

Outra mudança aprovada pela Câmara retira do limite de despesas do arcabouço fiscal até R$ 2,5 bilhões destinados a investimentos em defesa.

O texto também permite antecipar de 2027 para 2026, em até R$ 3 bilhões, investimentos em saúde e educação financiados pelo Fundo Social.

A proposta foi apresentada inicialmente com foco nos efeitos econômicos do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. Ao longo da tramitação, porém, o texto passou a reunir medidas de diferentes áreas.

Fertilizantes e minerais críticos

O projeto autoriza produtores de etanol a utilizar saldos credores de PIS/Pasep e Cofins. Também prevê crédito fiscal para projetos destinados à produção de fertilizantes e de matérias-primas utilizadas na fabricação desses produtos no Brasil.

A relatora incluiu ainda benefícios fiscais voltados ao setor de minerais críticos.

Copa do Mundo Feminina

O texto aprovado pela Câmara também prevê isenções tributárias relacionadas à realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil.

Segundo Marussa Boldrin, o evento possui projeção internacional e exige compromissos de isenção tributária assumidos pelo Estado brasileiro com as entidades responsáveis pela organização da competição.

A versão final do projeto foi concluída na noite de terça-feira (11), após reunião com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. A proposta já havia entrado na pauta da Câmara em outras ocasiões no primeiro semestre, mas não chegou a ser votada.

Agora, o projeto será analisado pelo Senado.

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