Terremotos estão aumentando no mundo? Entenda o que dizem os dados

Aumento no número de registros sísmicos chama atenção, mas especialistas explicam que avanço do monitoramento é uma das principais razões para a alta observada

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Redes de monitoramento sísmico permitem identificar tremores de menor magnitude que antes poderiam não ser registrados.Imagem: Claudio Accogli/EPA/Agência Lusa
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O número de terremotos registrados em diferentes partes do mundo tem chamado a atenção nas últimas semanas, especialmente após uma sequência de tremores de grande magnitude em países como Colômbia, Japão e Venezuela. A frequência recente pode transmitir a impressão de que o planeta está passando por um período de atividade sísmica acima do normal.

Os dados disponíveis, porém, não indicam que a Terra esteja produzindo, de forma contínua, uma quantidade maior de grandes terremotos. Segundo informações do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), as variações observadas fazem parte do comportamento natural da atividade sísmica e também estão relacionadas à evolução dos sistemas utilizados para detectar os tremores.

Mais sensores, mais registros

Uma das principais explicações para o aumento da quantidade de terremotos registrados é o avanço da tecnologia de monitoramento. A rede mundial de sismógrafos se tornou muito mais ampla e sensível ao longo das décadas, permitindo identificar tremores de menor magnitude que anteriormente poderiam passar despercebidos.

Isso significa que uma comparação direta entre os registros atuais e os de períodos mais antigos pode dar a impressão de que a atividade sísmica aumentou mais do que realmente aumentou.

Atualmente, os equipamentos conseguem localizar e medir eventos muito pequenos em diferentes regiões do planeta. Com mais estações de monitoramento e sistemas capazes de analisar dados rapidamente, uma parcela maior dos tremores que ocorrem naturalmente é registrada.

E os terremotos de grande magnitude?

Quando o recorte considera apenas os grandes terremotos, o cenário é diferente. O USGS aponta que, desde o início dos registros modernos, a média de longo prazo é de aproximadamente 16 grandes terremotos por ano. Desse total, cerca de 15 apresentam magnitude na faixa de 7, enquanto aproximadamente um chega a magnitude 8 ou superior.

A ocorrência de vários terremotos fortes em um intervalo relativamente curto pode causar a sensação de que existe uma mudança no comportamento do planeta. No entanto, agrupamentos temporários de eventos podem acontecer naturalmente.

Em análise publicada recentemente, especialistas destacaram que a atividade sísmica apresenta variações naturais e que a concentração de terremotos fortes em determinados períodos não significa, por si só, que esteja ocorrendo uma mudança permanente na dinâmica das placas tectônicas.

Por que os terremotos acontecem?

Os terremotos são provocados principalmente pelo movimento das placas tectônicas. Essas grandes estruturas que formam a camada externa da Terra estão em constante movimento e podem acumular tensão em suas bordas.

Quando a tensão supera a resistência das rochas, ocorre uma ruptura ou deslocamento, liberando energia em forma de ondas sísmicas. Dependendo da magnitude, da profundidade e da localização do fenômeno, o tremor pode ser sentido a grandes distâncias e provocar danos significativos.

A maior parte dos terremotos acontece próxima aos limites das placas tectônicas, embora tremores também possam ocorrer em regiões localizadas no interior delas.

Sequência recente reforçou a impressão de aumento

A percepção de que os terremotos estão mais frequentes também ganhou força diante de eventos registrados em diferentes países nos últimos meses.

Em 10 de agosto, um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia, com epicentro na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó. O evento provocou impactos em outras áreas do país e voltou a colocar a atividade sísmica no centro das atenções internacionais.

O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo também registrou o evento em sua base de monitoramento, classificando o tremor na faixa de magnitude 7,5 Mw em seus dados iniciais.

Apesar da sequência de terremotos fortes chamar atenção, especialistas reforçam que não é possível concluir, apenas pela concentração de eventos em determinado período, que a Terra tenha entrado em uma nova fase de maior atividade sísmica.

É possível prever um grande terremoto?

Não. A ciência consegue identificar regiões com maior risco sísmico e acompanhar a atividade de determinadas áreas, mas não consegue determinar com precisão quando e onde ocorrerá um grande terremoto.

O monitoramento permite emitir alertas e produzir estimativas de risco em algumas situações, além de acompanhar réplicas depois de um terremoto principal. Ainda assim, não existe atualmente um método capaz de prever exatamente o momento de um terremoto.

Por isso, a preparação das cidades e das construções continua sendo uma das principais formas de reduzir os impactos de eventos sísmicos.

O que os dados mostram

O aumento dos terremotos registrados não deve ser interpretado automaticamente como um aumento da atividade sísmica do planeta. A expansão das redes de monitoramento tornou possível detectar uma quantidade muito maior de tremores, principalmente os de menor magnitude.

Ao mesmo tempo, terremotos de grande intensidade continuam ocorrendo dentro de padrões que apresentam variações naturais ao longo dos anos. Para os especialistas, é necessário analisar séries históricas extensas antes de afirmar que existe uma mudança significativa no comportamento sísmico da Terra.

Assim, embora a sucessão de terremotos recentes seja suficiente para despertar atenção, os registros disponíveis não sustentam, até o momento, a ideia de que o planeta esteja passando por um aumento contínuo na ocorrência de grandes terremotos.

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