Por décadas, Giza Soares caminhou carregando perguntas para as quais não encontrava respostas. Esposa, mãe, avó, jornalista, CEO do Jornal Capital Federal, mulher negra e pessoa com deficiência, construiu sua história vencendo desafios que muitos sequer imaginavam.Foi somente aos 50 anos que veio a descoberta capaz de dar novo significado a toda a sua trajetória: o diagnóstico de autismo.
O que para muitos poderia representar apenas uma descoberta médica, para Giza significou o reencontro com a própria história. Experiências da infância, dificuldades enfrentadas ao longo da vida e sentimentos que pareciam não ter explicação passaram a fazer sentido.
Quando recebi o diagnóstico, muitas respostas finalmente chegaram. Passei a entender situações que me acompanharam desde a infância. Foi como olhar para toda a minha trajetória e, pela primeira vez, compreender quem eu realmente era”, afirma.
A descoberta trouxe mais do que autoconhecimento. Trouxe uma missão.
Hoje, pré-candidata a deputada distrital, Giza quer transformar sua vivência em luta coletiva. Sua proposta é defender políticas públicas voltadas à inclusão, à saúde, à educação e ao fortalecimento da rede de apoio às pessoas neurodivergentes, às pessoas com deficiência e às famílias que enfrentam diariamente desafios muitas vezes invisíveis para a sociedade.
Uma das causas que mais a mobilizam é a realidade das famílias atípicas.
Eu costumo dizer que quem cuida também precisa ser cuidado. Existem mães que deixam seus sonhos de lado para cuidar dos filhos. Pais que enfrentam jornadas exaustivas em busca de atendimento. Famílias que lutam sozinhas contra a falta de informação, contra as filas e contra o preconceito. Essas pessoas também precisam de acolhimento.”
Segundo dados do IBGE, mais de 34 mil pessoas possuem diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista no Distrito Federal. Para Giza, o número revela apenas parte da realidade.
Existem milhares de crianças, jovens e adultos que ainda não receberam diagnóstico. Pessoas que passam anos sem entender suas dificuldades e famílias que enfrentam essa caminhada sem orientação. Quando falamos sobre autismo, não estamos falando apenas de números. Estamos falando de vidas.”
Ela afirma que fala sobre o tema não apenas como ativista ou pré-candidata, mas como alguém que vive essa realidade.
Eu sinto na pele o que muitos neurodivergentes enfrentam todos os dias. Sei o que é tentar se encaixar, sentir que algo está diferente e não encontrar respostas. Sei o que é carregar dúvidas por anos. Quando recebi meu diagnóstico, chorei. Não de tristeza, mas porque finalmente encontrei respostas para perguntas que me acompanharam durante toda a vida.”
Redução das filas
Entre as propostas que pretende defender estão a ampliação do acesso ao diagnóstico pelo SUS, a redução das filas para atendimento especializado, o fortalecimento da rede de apoio às famílias, a fiscalização do cumprimento dos direitos já garantidos por lei e a ampliação dos investimentos em inclusão.
Ao longo de sua carreira no jornalismo, acompanhou histórias de superação, dificuldades e esperança. Agora, deseja levar essa experiência para os espaços de decisão.
Para Giza Soares, a pré-candidatura não representa apenas um projeto político. Representa a continuação de uma trajetória construída ouvindo histórias e buscando soluções.
Durante muitos anos procurei respostas para mim. Hoje, quero ajudar outras pessoas a encontrarem as respostas que eu demorei tanto para encontrar. Se eu puder fazer com que uma família se sinta acolhida, uma mãe se sinta apoiada ou uma pessoa neurodivergente se sinta representada, já estarei cumprindo minha missão.”



