Governo propõe aumentar mistura de etanol na gasolina para 32%

Medida será analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética nos próximos 15 dias e pode impactar o preço dos combustíveis no país

Ana Andrade
Por Ana Andrade 4 Min Leitura
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Alexandre Silveira anunciou que o governo vai propor o aumento da mistura obrigatória de etanol na gasolina para 32%.IMAGEM: Tomaz Silva/Agência Brasil
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O governo federal vai submeter ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), nos próximos 15 dias, uma proposta para elevar de 30% para 32% a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina vendida no Brasil. O anúncio foi feito nesta terça-feira (9) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros de Estado e representantes do setor sucroenergético, no Palácio do Planalto.

A mudança, conhecida como E32, atende a uma reivindicação do setor de biocombustíveis e integra a estratégia do governo para ampliar o uso de fontes renováveis, reduzir a dependência de combustíveis importados e fortalecer a segurança energética nacional.

“Sabemos que podemos ir até E35, mas os estudos técnicos necessários para se avançar na mistura nos permitem ir até o E32. Foi uma reivindicação trazida hoje pelo setor”, afirmou Alexandre Silveira.

O que muda na prática?

Atualmente, a gasolina comercializada nos postos brasileiros contém 30% de etanol anidro e 70% de gasolina pura. Caso a proposta seja aprovada pelo CNPE, a composição passará para 32% de etanol e 68% de gasolina.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o aumento pode reduzir a necessidade de importação de aproximadamente 450 milhões de litros de gasolina, contribuindo para diminuir a exposição do país às oscilações do mercado internacional de petróleo.

De acordo com o governo, a medida também pode ajudar a conter pressões sobre os preços dos combustíveis, especialmente em períodos de instabilidade geopolítica.

O anúncio ocorre em meio às preocupações globais com a volatilidade dos preços do petróleo. Alexandre Silveira destacou que ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira é uma forma de aumentar a autonomia do país.

“É segurança energética, é modicidade no preço do combustível, é descarbonização, é desenvolvimento nacional, é mais plantio, é mais emprego, é mais renda”, declarou o ministro.

A proposta está alinhada à Lei do Combustível do Futuro, que busca incentivar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis no Brasil.

Veículos serão afetados?

Uma das principais dúvidas dos consumidores é sobre possíveis impactos nos automóveis. Segundo o governo, testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia em veículos leves e motocicletas representativos da frota nacional indicaram que misturas de até 32% de etanol não apresentaram efeitos relevantes no desempenho, consumo, dirigibilidade ou emissões dos veículos avaliados.

Embora estudos indiquem viabilidade técnica para misturas de até 35% (E35), o governo optou por propor inicialmente o E32.

Próximos passos

A proposta ainda precisa ser analisada e aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética. Caso receba sinal verde, a mudança poderá ser implementada nos próximos meses.

Se aprovada, a medida representará mais um avanço na política brasileira de ampliação do uso de biocombustíveis, setor em que o país é referência mundial devido à forte produção de cana-de-açúcar e etanol.

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