A governadora Celina Leão anunciou na terça-feira (9) os detalhes da ocupação do Centro Administrativo do Distrito Federal, em Taguatinga, encerrando um impasse que se arrasta há mais de uma década. Fechado desde sua inauguração, em 2014, o complexo passará a ser chamado oficialmente de CAD (Centro Administrativo do Distrito Federal) e começará a receber órgãos do Governo do Distrito Federal nos próximos 90 dias.
Segundo a governadora, a utilização do espaço deve gerar uma economia estimada em R$ 1 bilhão ao longo de 60 meses, principalmente com a redução dos gastos com aluguéis de imóveis atualmente utilizados por secretarias e órgãos públicos. Celina também afirmou que a mudança contribuirá para a descentralização administrativa e para a melhoria da mobilidade urbana no DF.
A primeira etapa prevê a ocupação de 31% do complexo. Entre os órgãos que serão transferidos estão a Secretaria de Obras, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, a Secretaria de Mobilidade, a Secretaria do Meio Ambiente, o DF Legal, a Casa Civil e o gabinete da própria governadora.
De acordo com o GDF, os custos para adequação dos prédios serão limitados a pequenos reparos, como pintura e impermeabilização. A estimativa é de investimento de R$ 1,8 milhão por bloco, em um total de cinco edifícios. Celina Leão ressaltou que não haverá compra de novos móveis nem realização de licitações para equipar os espaços.
Economia com aluguéis
Atualmente, o Governo do Distrito Federal desembolsa cerca de R$ 168 milhões por ano com contratos de aluguel. Com a transferência das primeiras secretarias para o CAD, a expectativa é reduzir significativamente essa despesa.
As estimativas de economia anual apresentadas pelo governo são:
● Secretaria de Obras: R$ 3 milhões;
● Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação: R$ 5,5 milhões;
● Secretaria de Mobilidade: R$ 3,2 milhões;
● Secretaria do Meio Ambiente: R$ 3,1 milhões;
● DF Legal: R$ 3,5 milhões.
Mobilidade e descentralização
Durante o anúncio, Celina Leão destacou que a mudança não tem apenas objetivo financeiro. Segundo ela, a concentração de órgãos públicos no Plano Piloto contribui para o intenso fluxo diário de veículos na região.
A governadora afirmou que a transferência para Taguatinga pode impulsionar o desenvolvimento de outras regiões administrativas, além de distribuir melhor a circulação de pessoas e serviços pelo Distrito Federal.
Questões jurídicas
Celina Leão também afirmou que não existem impedimentos legais para a ocupação parcial do complexo. Segundo ela, as disputas judiciais em andamento envolvem exclusivamente as empresas responsáveis pela construção e a Caixa Econômica Federal.
A governadora acrescentou que o terreno pertence ao GDF e que documentos essenciais para a utilização do espaço, como o Habite-se e o Relatório de Impacto de Trânsito (RIT), estão regularizados.
O CAD também está entre os imóveis incluídos na legislação que autorizou operações para reforçar o patrimônio do Banco de Brasília (BRB). No entanto, Celina afirmou que busca alternativas jurídicas e que não pretende utilizar o complexo em negociações relacionadas ao banco.
Uma obra marcada por impasses
O antigo Centrad foi concebido em 2009 por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) entre o GDF e um consórcio formado pelas empresas Via Engenharia e Odebrecht. O projeto previa investimentos de aproximadamente R$ 6 bilhões ao longo de 22 anos.
Embora tenha sido inaugurado simbolicamente em 2014, o complexo nunca entrou em funcionamento. Desde então, o empreendimento enfrentou questionamentos do Ministério Público, investigações relacionadas à Operação Lava Jato, disputas judiciais e sucessivas tentativas frustradas de ocupação por diferentes governos.
Em 2022, o contrato da PPP foi oficialmente anulado. Desde então, o Governo do Distrito Federal passou a ser responsável pela manutenção e segurança do espaço, que sofreu episódios de invasão, vandalismo e depredação ao longo dos anos.
Agora, com o início da ocupação efetiva, o GDF aposta que o CAD finalmente deixará de ser um dos maiores elefantes brancos da capital para se transformar em um centro administrativo em funcionamento.



