Crianças nos ombros dos pais, mães empurrando carrinhos de bebê, idosos, estudantes uniformizados e famílias inteiras ocuparam a Esplanada dos Ministérios, nesta terça-feira (9), durante a 19ª Marcha Nacional pela Vida e a 3ª Marcha Distrital pela Vida. O ato reuniu participantes de diversas regiões do país em defesa da vida desde a concepção e em posicionamento contrário ao aborto.
A concentração ocorreu nas proximidades do Museu da República. Em seguida, os participantes seguiram em caminhada pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional, carregando bandeiras e cartazes com frases como “Diga não ao aborto”, “Toda vida importa” e “A vida depende do seu voto”.
Além das famílias, escolas do Distrito Federal também participaram da mobilização, levando estudantes para acompanhar o evento. Ao longo do trajeto, era possível ver bebês, crianças, adolescentes, pais, mães, avós e idosos reunidos em torno da mesma pauta.


O movimento é organizado pelo Brasil Sem Aborto e reúne pessoas que defendem a proteção da vida desde a concepção. Entre as principais bandeiras estão a oposição à ampliação do acesso ao aborto no país, o apoio às gestantes e a defesa de políticas públicas voltadas à maternidade e à infância.
O procedimento que esteve no centro dos debates
Um dos temas mais mencionados durante a marcha foi a assistolia fetal, procedimento médico utilizado em alguns casos de aborto legal em gestações mais avançadas.
A técnica consiste na aplicação de medicamentos diretamente no coração do feto para interromper os batimentos cardíacos antes da indução do parto. O procedimento é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em determinadas situações previstas nos protocolos internacionais de assistência ao aborto legal.
Os participantes do movimento pró-vida criticam a prática. Durante o evento, manifestantes afirmaram que o método não deveria ser utilizado em seres humanos e citaram posicionamentos do Conselho Federal de Medicina (CFM), que sustenta que a técnica é vedada em protocolos veterinários desde 2012 por ser considerada cruel quando aplicada em animais.
O tema segue em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) e divide opiniões entre entidades médicas, movimentos pró-vida e grupos que defendem os direitos reprodutivos das mulheres.
O relato de três gerações
Entre os cartazes levados pelos participantes, um chamava a atenção pela frase:
Se a vida não tivesse vencido, nenhuma de nós estaria aqui.”
A mensagem era exibida por três gerações da mesma família: avó, filha e neta.
Segundo o relato da família, anos atrás, a avó tentou interromper uma gestação, mas o aborto não foi concluído. A criança nasceu, cresceu e, posteriormente, teve uma filha. Hoje, as três participaram juntas da caminhada.
É na verdade a gente pegou essa causa mãe e filha porque eu sou sobrevivente do aborto e daí a gente quer agora fazer o contrário porque toda vida desde o ventre importa. Então muitas pessoas defendem as mulheres, os homens, adolescentes, crianças, mas a primeira casa dela que tem que ser defendida é no ventre. E hoje a gente entende isso como uma casa”, afirmou a participante.
A história foi apresentada pela própria família como um dos motivos que as levaram a participar da Marcha Nacional pela Vida deste ano.
Debate que permanece
A Marcha Nacional pela Vida é uma das maiores mobilizações pró-vida realizadas no país. Enquanto os participantes defendem a preservação da vida desde a concepção, grupos favoráveis aos direitos reprodutivos argumentam pela manutenção e ampliação do acesso aos serviços previstos em lei e pela autonomia das mulheres sobre decisões relacionadas à gestação.

Mais uma vez, Brasília se tornou palco de um debate que mobiliza diferentes setores da sociedade e evidencia posições distintas sobre um dos temas mais sensíveis do país.




