O governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou nesta segunda-feira (1º) que desistiu da implantação da Zona Verde projeto que previa cobrança em estacionamentos públicos do Plano Piloto e atribuiu o retorno do tema ao debate político conduzido pela deputada distrital Paula Belmonte (Cidadania). A parlamentar, que convocou audiência pública sobre o assunto para esta terça (2), contesta a versão do governo e diz que não há garantias de que a proposta não será retomada.
Em mensagem enviada ao g1, Ibaneis disse que a decisão de abandonar o Zona Verde foi tomada “há um bom tempo” e voltou à discussão por causa da “politicagem” da deputada. Apesar disso, até esta segunda, o governador não havia feito nenhuma declaração pública confirmando a desistência.
Debate público mantido
Paula Belmonte afirmou em nota que o governo tenta transformar uma discussão séria em ataque pessoal e reforçou que a audiência desta terça está mantida. Para ela, não há compromisso formal do Executivo de que o estacionamento rotativo pago não será implementado.
A deputada citou ainda que a Lei Complementar 692/2004 permite que o governo institua cobrança por decreto, o que, segundo ela, mantém o risco para a população.
Governo defende prioridade ao transporte coletivo
Ao ser questionado sobre os motivos da desistência, Ibaneis afirmou que o Distrito Federal ainda precisa concluir obras essenciais para melhorar o deslocamento diário da população. Segundo ele, a ampliação do metrô e a conclusão dos BRTs são fundamentais antes de qualquer mudança que incentive a redução do uso do transporte particular.
“Melhoramos muito o transporte público, mas as obras viárias precisam estar concluídas para garantir qualidade aos usuários”, declarou o governador. Ele defendeu ainda que o poder público deve priorizar investimentos no transporte coletivo. “As grandes cidades do mundo quase proíbem o trânsito de veículos.”
Como funcionaria o Zona Verde
O projeto previa a concessão, por 20 anos, da gestão dos estacionamentos rotativos pagos em setores como Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste, Noroeste, Esplanada e Eixo Monumental. Segundo a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob), seriam R$ 71 milhões de investimento e outorga inicial de R$ 69,6 milhões. A empresa vencedora também repassaria cerca de R$ 15 milhões por ano ao governo, o equivalente a 20% da receita bruta.




