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Uso do celular no banheiro pode aumentar risco de hemorroidas, aponta estudo

Pesquisadores destacam que permanência prolongada no vaso sanitário, comum entre usuários de smartphone, eleva a pressão no assoalho pélvico e favorece o problema

Flávia Marinho
Por Flávia Marinho 5 Min Leitura
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Uso prolongado do celular no banheiro aumenta o risco de hemorroidas, segundo estudo publicado na PLOS OneImagem: Freepik
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Usar o celular enquanto está sentado no vaso sanitário, hábito cada vez mais comum, pode trazer consequências para a saúde intestinal. Um estudo publicado em setembro na revista científica PLOS One revelou que esse costume aumenta em 46% o risco de hemorroidas, especialmente porque prolonga o tempo de permanência no banheiro. A conclusão foi explicada pela gastroenterologista Trisha Pasricha, da Escola de Medicina de Harvard, que liderou a pesquisa.

A análise foi feita com 125 adultos submetidos a colonoscopia preventiva. Metade dos participantes que usavam o smartphone relatou ficar mais tempo sentado no vaso sanitário por causa do aparelho. Essa demora excessiva ocorre porque, ao contrário de uma cadeira comum, o assento do vaso não oferece apoio direto ao assoalho pélvico, o que aumenta a pressão sobre músculos e tecidos da região anal.

Todos possuem hemorroidas, estruturas naturais e vascularizadas presentes na junção do reto com o ânus. O problema surge quando elas aumentam devido ao esforço para evacuar, provocando dor, coceira, ardência e até sangramento.

Como reduzir o risco de hemorroidas

Apesar do desconforto, as hemorroidas geralmente são tratáveis e, muitas vezes, evitáveis. Especialistas reforçam cinco cuidados que ajudam na prevenção:

1. Seja breve

O tempo ideal no vaso sanitário não deve ultrapassar cinco minutos. Se não conseguir evacuar, levante-se, caminhe e tente novamente depois.

2. Deixe o celular fora do banheiro

Para quem usa o aparelho como distração, uma regra simples é assistir a apenas dois vídeos curtos e, em seguida, avaliar por que ainda continua sentado.

3. Adote a postura correta

Manter os joelhos acima do nível dos quadris com a ajuda de um pequeno banquinho facilita a passagem das fezes e reduz o esforço.

4. Consuma mais fibras

A alimentação tem papel decisivo na saúde intestinal. Produtos integrais, vegetais, leguminosas e frutas ajudam a amolecer as fezes e evitam o esforço excessivo.

5. Procure um médico sem receio

Mesmo sendo um tema delicado, falar sobre saúde intestinal é fundamental. Procurar ajuda cedo evita complicações desnecessárias.

Hemorroidas ainda são tabu

O problema é mais comum do que se imagina e afeta mais da metade dos adultos em algum momento da vida. Casos aumentam com a idade, constipação crônica e gravidez. Por vergonha, muitos buscam tratamento apenas quando a situação já está avançada. Estudos genômicos, como o conduzido pelo professor Mauro D’Amato, na Itália, identificaram mais de cem regiões do genoma associadas ao risco de desenvolver hemorroidas, mas ainda há poucos trabalhos aprofundados sobre o tema.

O interesse público, porém, vem crescendo. Quando pessoas influentes mencionam o problema, mais pacientes procuram atendimento e participam de pesquisas, o que contribui para o avanço científico.

Mais jovens também estão sendo afetados

Especialistas relatam um aumento de casos em adultos jovens, possivelmente influenciado pelo uso excessivo de smartphones no banheiro. Uma pesquisa do instituto YouGov mostrou que mais da metade dos adultos na Alemanha leva o celular ao sanitário, percentual que ultrapassa 80% entre pessoas de 25 a 34 anos. Homens, segundo Pasricha, relatam permanecer ali por muito mais tempo devido ao aparelho.

Smartphone como fator de risco

O alerta não é novo. Antes dos celulares, médicos já chamavam atenção para quem passava longos períodos lendo jornais no banheiro. A distração prolongada leva a pessoa a esquecer o propósito inicial e permanecer sentada por tempo excessivo.

As redes sociais intensificam isso. Apps como Instagram e TikTok são desenvolvidos para reter a atenção, o que faz muitos perderem a noção do tempo. No estudo, boa parte dos participantes passava mais de cinco minutos no vaso várias vezes por semana.
Mesmo assim, o gastroenterologista Ulrich Tappe pondera que o principal fator de risco ainda está relacionado ao esforço durante a evacuação e à alimentação inadequada. Para ele, o celular pode contribuir, mas não é necessariamente determinante para o surgimento de hemorroidas.

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