Um estudo do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do Distrito Federal (Sindauto-DF) aponta que taxas cobradas pelos Detrans, somadas aos exames médico e psicotécnico obrigatórios, representam quase metade do valor total para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no país.
No Distrito Federal, o custo médio nas autoescolas para a categoria B — a mais procurada — chega a R$ 2.110,74. Desse valor, R$ 1.100 são referentes às aulas teóricas e práticas, ao monitoramento exigido por lei, à aplicação do exame prático e à manutenção de toda a estrutura necessária para o funcionamento dos Centros de Formação de Condutores. Já as taxas do Detran somam R$ 460 e os exames médicos e psicotécnicos, R$ 550,74, compondo juntos 47,9% do preço final.
Margem de lucro
Segundo o presidente do Sindauto-DF, Joaquim Loiola, a margem de lucro para os empresários é mínima. Ele defende que a Senatran revise os valores cobrados pelos departamentos estaduais de trânsito.
O preço anunciado pelo ministro, acima de R$ 3 mil, não reflete a realidade do DF, afirma.
A divulgação do levantamento ocorreu em resposta à declaração do ministro dos Transportes, Renan Filho, que sugeriu acabar com a obrigatoriedade das aulas em CFCs como forma de reduzir o custo da CNH. Para Loiola, é possível diminuir a quantidade mínima de aulas, mas sem comprometer a segurança.
O aluno precisa estar acompanhado por um profissional habilitado e em veículo adaptado, para evitar acidentes. Afrouxar a formação coloca vidas em risco. Só na última década, 2.829 pessoas morreram no trânsito da capital, alerta.
O debate ganhou força nesta quarta-feira (13), quando o Sindauto-DF e representantes de autoescolas de outros estados promoveram uma carreata em Brasília. O ato antecedeu o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa da Educação para o Trânsito e da Formação de Condutores, na Câmara dos Deputados, liderada pelo deputado Zé Neto (PT-BA). O grupo, com apoio de mais de 220 parlamentares, busca alternativas para reduzir o custo da CNH, mas rejeita a proposta de permitir que qualquer pessoa — inclusive sem formação específica — ensine futuros motoristas.




