Será que nós, nutricionistas, estamos realmente facilitando sua vida?

Não existe alimento milagroso nem alimento vilão. O que importa é o contexto, a frequência e o equilíbrio

Simone Dias
Por Simone Dias  - Nutrição 3 Min Leitura
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A relação com a comida deve ser construída com equilíbrio, respeito à individualidade e liberdade de comer sem culpa.Imagem: IA
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Abra qualquer rede social e faça um teste. Em poucos minutos, alguém vai dizer que pão engorda, que fruta à noite faz mal e que leite inflama. No dia seguinte, outro perfil vai dizer o contrário. No meio desse barulho está você, que só queria saber o que pôr no prato do almoço sem sentir medo ou culpa.

Como nutricionista, preciso fazer uma pergunta incômoda: estamos ajudando você a mudar, ou aumentando essa confusão? E o que acontece com você diante de tantas informações? A confusão vira insegurança e medo de comer. Algo que deveria ser natural e prazeroso acaba se transformando em uma tarefa cheia de cálculos, preocupações e culpa.

Abastecimento

Durante muito tempo, a nutrição se apresentou como a ciência do “pode” e do “não pode”. Reduzimos a comida a calorias e nutrientes, como se comer fosse apenas abastecer uma máquina. Esquecemos que comida também é afeto, cultura, memória e prazer. O feijão da avó, o bolo de aniversário e o café com a vizinha não cabem numa tabela nutricional.

Você não vai sustentar uma mudança vivendo em guerra com o próprio prato. A mudança acontece quando você entende o que sente e por que come. Você também precisa descobrir o que cabe na sua rotina, no seu bolso e na sua história. E isso só acontece quando você recebe respeito, e não julgamento.

Modismo

Ser facilitador é diferente de ser fiscal de prato. É caminhar ao lado, em vez de ir à frente apontando o dedo. É usar a ciência com honestidade, admitindo quando as evidências ainda são frágeis, em vez de transformar modismos em verdades absolutas. Não existe alimento milagroso nem alimento vilão. O que importa é o contexto, a frequência e o equilíbrio.

Terrorismo nutricional

Também cabe a nós, nutricionistas, desconfiar do terrorismo nutricional, inclusive quando ele vem de colegas. Promessas fáceis e cardápios iguais para todo mundo vendem bem, mas raramente transformam alguém.

A você, que me lê, deixo um convite: desconfie de quem promete resultados rápidos à custa do seu prazer de comer e da sua paz. Uma boa orientação deve trazer tranquilidade diante da comida, e não ansiedade.

E a nós, nutricionistas, fica a pergunta do título. Que possamos respondê-la com humildade, escuta e coragem para fazer diferente.

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Posted by Simone Dias Nutrição
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Especialista em comportamento alimentar – Foco ajudar mulheres a entenderem a alimentação como uma grande aliada na saúde e na qualidade de vida.
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