O padre Françoá Rodrigues Figueiredo Costa, responsável pela Capela Santo Atanásio, em Ceilândia, declarou que não reconhece a excomunhão confirmada pela Arquidiocese de Brasília e afirmou que continuará celebrando missas normalmente. A manifestação foi feita após a Santa Sé considerar que a adesão formal à Fraternidade Sacerdotal São Pio X coloca sacerdotes e fiéis em situação de cisma e excomunhão.
Em vídeo divulgado nas redes sociais no último sábado (11), intitulado “Resposta aos inimigos”, o sacerdote classificou como “nulas” e “inválidas” as excomunhões e as acusações de cisma contra integrantes e apoiadores da fraternidade.
“Continuaremos todos os dias a rezar a Santa Missa, a mencionar o nome do Santo Padre no cânon da missa, a rezar, aqui no caso de Brasília, pelo senhor arcebispo de Brasília, consciente de que somos católicos”, afirmou.
Nos comentários da publicação, o padre informou que já tomou conhecimento da nota divulgada pela Arquidiocese de Brasília e disse que pretende responder ao posicionamento da instituição.
Arquidiocese orienta fiéis
Em nota oficial, a Arquidiocese de Brasília declarou que todas as celebrações, atividades pastorais, formações e demais atos realizados na Capela Santo Atanásio são considerados irregulares. A instituição também orientou os fiéis a não participarem das atividades promovidas no local, alegando risco de adesão ao cisma e à excomunhão.
Padre contesta existência de cisma
Durante a gravação, Françoá Rodrigues também contestou a classificação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X como um grupo cismático. Segundo ele, embora possa ter ocorrido uma desobediência ao papa, isso não caracterizaria uma ruptura com a Igreja Católica.
O sacerdote afirmou que a fraternidade continua reconhecendo o papa Leão XIV como líder da Igreja, menciona seu nome durante as missas e mantém comunhão com a fé católica.
Em outro vídeo, publicado em 5 de julho sob o título “NÃO estamos excomungados”, o padre declarou que ele e os frequentadores da capela não pretendem abandonar a fraternidade em razão das medidas adotadas pelo Vaticano.
Entenda o caso
A nova crise entre a Santa Sé e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X teve início após o grupo ordenar quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV, durante uma cerimônia realizada em 1º de julho, em Écône, na Suíça.
O Vaticano classificou o ato como cismático e anunciou a excomunhão dos bispos envolvidos. Além disso, informou que sacerdotes e leigos que aderirem formalmente à fraternidade também passam a ser considerados em situação de cisma e excomunhão.
A Fraternidade São Pio X rejeita a decisão e sustenta que as ordenações foram necessárias para assegurar a continuidade de suas atividades religiosas.
O grupo reúne católicos tradicionalistas que defendem o retorno da missa em latim e contestam parte das reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II. O conflito com a Santa Sé se estende desde 1988, quando o fundador da fraternidade, Marcel Lefebvre, ordenou quatro bispos sem autorização papal. Embora as excomunhões daqueles bispos tenham sido revogadas em 2009 pelo papa Bento XVI, a situação canônica da fraternidade permaneceu irregular.


