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Escritório da esposa de Alexandre de Moraes confirma contrato com Banco Master

Nota afirma que consultoria jurídica ocorreu entre 2024 e 2025 e que não houve atuação no STF

Paulo Cesar Sampaio
Por Paulo Cesar Sampaio 5 Min Leitura
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O ministro do STF Alexandre de Moraes ao lado da advogada Viviane Barci de Moraes em cerimônia oficial em BrasíliaImagem: Ricardo Stuckert/PR

O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Alexandre de Moraes, divulgou nesta segunda-feira (9) uma nota oficial confirmando que prestou serviços jurídicos ao Banco Master, instituição ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso em investigação conduzida pela Polícia Federal.

Segundo o comunicado, o contrato de consultoria e atuação jurídica ocorreu entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, período que terminou com a liquidação extrajudicial do banco. O escritório afirmou ainda que nunca conduziu qualquer causa do Banco Master no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).

Detalhes do contrato

De acordo com a nota, os serviços foram prestados por uma equipe formada por 15 advogados do escritório, além da contratação de outros três escritórios especializados em consultoria, que atuaram sob coordenação da Barci de Moraes Sociedade de Advogados.

Durante a vigência do contrato, foram realizadas 94 reuniões de trabalho. Desse total, 79 ocorreram presencialmente na sede do Banco Master, com duração média de três horas cada, envolvendo áreas como compliance e setor corporativo da instituição. Outras 13 reuniões ocorreram com a presidência do banco, sendo duas presenciais e 11 por videoconferência, além de dois encontros virtuais com o departamento jurídico.

Segundo o documento, o trabalho incluiu a elaboração de 36 pareceres jurídicos sobre diferentes temas, entre eles questões previdenciárias, contratuais, regulatórias, trabalhistas, de compliance, crédito e proteção de dados. O escritório também afirma ter participado da revisão de políticas internas, do código de ética e de programas de integridade do banco.

Prisão de Daniel Vorcaro

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, voltou a ser preso na última quarta-feira (4), em São Paulo, durante a terceira fase da operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema bilionário envolvendo crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos eletrônicos.

A nova prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que assumiu recentemente a relatoria do caso.

Vorcaro já havia sido detido em novembro de 2025 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, quando tentava embarcar em um avião particular com destino à Europa. Segundo os investigadores, havia indícios de tentativa de fuga do país.

Mensagens atribuídas a Moraes

Reportagem publicada na sexta-feira (6) pelo blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro enviadas ao ministro Alexandre de Moraes no dia 17 de novembro de 2025, horas antes da primeira prisão do banqueiro.

As mensagens teriam sido recuperadas a partir de perícia realizada pela Polícia Federal em aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação. Parte das respostas teria sido enviada em modo de visualização única, o que impede a recuperação do conteúdo após a leitura.

Após a divulgação do material, o Supremo Tribunal Federal informou, por meio de nota, que Alexandre de Moraes nega que as mensagens tenham sido enviadas diretamente a ele.

Contrato milionário

Outra reportagem publicada em dezembro pelo jornal O Globo apontou que o contrato entre o Banco Master e o escritório da advogada poderia chegar a R$ 3,6 milhões mensais por um período de 36 meses, a partir de janeiro de 2024. A nota divulgada nesta segunda-feira, porém, não confirma nem detalha os valores envolvidos.

Crise no Banco Master

A liquidação do Banco Master pelo Banco Central do Brasil, em novembro de 2025, marcou um dos momentos mais críticos da crise financeira enfrentada pelo grupo. A instituição apresentava risco elevado de insolvência, impulsionado por captação de recursos a taxas muito superiores às praticadas no mercado.

Entre os produtos oferecidos estavam CDBs com remuneração elevada. O Certificado de Depósito Bancário é um investimento de renda fixa em que o cliente empresta dinheiro ao banco e recebe juros em troca.

Tentativas de venda da instituição, incluindo negociações com o Banco de Brasília (BRB), não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle e de investigações envolvendo o banco e seus dirigentes.

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