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Influenciadora descobre linfoma ligado a prótese de silicone; entenda tipo de câncer ligado a implantes

Caso de Evelin Camargo acende alerta para alterações tardias nas mamas e importância do acompanhamento médico

Danieli Aguiar
Por Danieli Aguiar 7 Min Leitura
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A influenciadora Evelin Camargo procurou atendimento após notar um inchaço repentino na mama Imagem: Arquivo Pessoal
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O aumento repentino de uma das mamas levou a influenciadora e comediante Evelin Camargo a buscar atendimento médico no fim de dezembro. A suspeita inicial era a ruptura da prótese de silicone, mas exames de imagem mostraram que o implante estava intacto.

O que chamou a atenção da equipe médica foi a presença de líquido ao redor da prótese, um seroma tardio, alteração incomum anos depois da cirurgia. A partir desse achado, os profissionais aprofundaram a investigação com punção do líquido e exames laboratoriais específicos.

Diagnóstico raro

A confirmação veio após análise de imunohistoquímica, que identificou um linfoma anaplásico de grandes células associado a implantes mamários, conhecido como BIA-ALCL. Em vídeo publicado nas redes sociais, Evelin contou que o linfoma estava restrito à cápsula que envolve a prótese e que o tratamento indicado foi a retirada do implante. Segundo ela, a decisão de tornar o diagnóstico público teve o objetivo de alertar outras mulheres sobre mudanças inesperadas nas mamas.

Apesar de surgir na região mamária, o BIA-ALCL não é um câncer de mama. Trata-se de um linfoma, tipo de câncer que se origina nas células do sistema linfático, responsáveis pela defesa do organismo.

“O linfoma anaplásico de grandes células associado ao implante mamário é um câncer do sistema linfático. Ele não se origina na mama, mas acaba se manifestando ali porque o gatilho é a presença da prótese, que pode provocar uma inflamação crônica ao longo do tempo”, explica Breno Gusmão, do Comitê Médico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale).

O oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, reforça que as células malignas costumam se desenvolver na cápsula fibrosa que se forma ao redor do implante, e não no tecido mamário. Essa diferença influencia diretamente o tratamento e o prognóstico.

Frequência da doença

O BIA-ALCL é considerado raro. Revisões científicas estimam incidência média de um caso a cada 30 mil mulheres com implantes mamários, com variações conforme país, tipo de prótese e tempo de uso.

O intervalo entre a colocação do implante e o diagnóstico costuma ser longo. Na maioria dos registros, o linfoma surge entre sete e dez anos após a cirurgia, embora possa aparecer fora desse período.

Especialistas apontam que pode haver subnotificação. “Há indícios de subnotificação, principalmente porque muitos casos são tratados apenas com cirurgia e não entram em sistemas oficiais de registro”, afirma Stefani.

Tipo de prótese em debate

Estudos apontam associação mais frequente do BIA-ALCL com próteses de superfície texturizada. Isso não significa que o linfoma ocorra apenas nesse tipo de implante ou que a prótese seja causa direta do câncer, mas que determinadas características podem representar fator de risco.

Uma das hipóteses é que a textura favoreça inflamação crônica ao longo dos anos. “As irregularidades da superfície aumentam a área de contato e podem facilitar a formação de biofilme bacteriano, o que mantém o sistema imunológico ativado por longos períodos”, explica a cirurgiã plástica Fabiana Catherino, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e autora do livro “Silicone: um padrão de beleza que adoece?”.

Com o tempo, esse estímulo inflamatório contínuo pode contribuir para a transformação maligna de células de defesa.

Sinais de alerta

O principal sinal é o inchaço tardio da mama, provocado pelo acúmulo de líquido ao redor do implante. Dor persistente, assimetria súbita, endurecimento ou presença de nódulos também exigem avaliação médica.

“Seroma tardio não é algo normal muitos anos depois da cirurgia. Ele precisa sempre ser avaliado”, afirma Catherino.

A investigação envolve exame físico, exames de imagem e, quando necessário, análise do líquido ou da cápsula retirada, com testes de imunohistoquímica que permitem confirmar o diagnóstico.

Tratamento e chances de cura

Quando o linfoma está restrito à cápsula do implante, o tratamento costuma ser cirúrgico, com retirada da prótese e da cápsula em bloco. Nesses casos, o prognóstico tende a ser favorável.

Se houver sinais de disseminação para linfonodos ou outros órgãos, situação menos comum, pode ser necessário tratamento complementar, como quimioterapia ou imunoterapia. Ainda assim, especialistas destacam que o BIA-ALCL é, em geral, uma doença potencialmente curável.

Acompanhamento é essencial

O caso de Evelin Camargo reforça uma orientação frequente entre especialistas: próteses mamárias não são dispositivos vitalícios e exigem acompanhamento contínuo.

Além do BIA-ALCL, existem outros riscos associados ao uso prolongado de implantes, como contratura capsular, ruptura, seromas tardios e necessidade de novas cirurgias. Segundo Catherino, o acompanhamento não deve depender apenas do surgimento de sintomas.

“As agências reguladoras orientam que a mulher faça a primeira ressonância magnética cerca de cinco anos após a colocação da prótese e, depois disso, mantenha o exame a cada dois ou três anos. Isso permite avaliar não só o implante, mas também a cápsula ao redor dele”, explica.

Ela reforça que alterações tardias não devem ser consideradas normais. Inchaço súbito, acúmulo de líquido, dor persistente, assimetria ou endurecimento da mama precisam de investigação médica.

Para os especialistas, informação clara faz parte do cuidado. O objetivo não é gerar pânico, mas deixar evidente que o uso de próteses envolve riscos conhecidos e incertezas, que precisam ser considerados de forma consciente.

“Todo procedimento cirúrgico tem riscos, principalmente quando envolve a colocação de um corpo estranho no organismo. O importante é que a mulher esteja informada para tomar decisões conscientes e saiba que o acompanhamento faz parte desse processo”, afirma Catherino.

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