O aumento das temperaturas registrado no Brasil nos últimos dias de 2025 tem colocado o organismo em estado de alerta, especialmente o sistema cardiovascular. Em dias muito quentes, o corpo aciona mecanismos para manter a temperatura interna estável, o que faz o coração trabalhar mais e pode provocar quedas de pressão, mal-estar, arritmias e, em situações mais graves, infarto e acidente vascular cerebral.
Quando o calor sobe, os vasos sanguíneos, principalmente os da pele, se dilatam para facilitar a perda de calor. Esse processo reduz a resistência dos vasos e tende a diminuir a pressão arterial. Para compensar, o organismo acelera os batimentos cardíacos para manter o fluxo de sangue adequado, como explica o cardiologista Fernando Ribas, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Em pessoas saudáveis, esse ajuste costuma funcionar, mas em quem já tem alguma fragilidade, o mecanismo pode falhar.
A dilatação dos vasos, combinada à perda de líquidos pelo suor, reduz o volume de sangue circulante. Com menos sangue retornando ao coração, a frequência cardíaca aumenta e surgem sintomas como tontura, fraqueza, escurecimento da visão e sensação de desmaio. Pessoas com tendência à hipotensão postural ou síncope vasovagal costumam sentir esses efeitos de forma mais intensa.
Desidratação e risco cardíaco
O suor é essencial para resfriar o corpo, mas leva embora água e sais minerais, como sódio e potássio. Segundo o cardiologista e médico do esporte Bruno Sthefan, a desidratação reduz o volume sanguíneo, acelera o coração para compensar e compromete a irrigação dos órgãos. Além disso, a perda de eletrólitos interfere no sistema elétrico do coração, aumentando o risco de arritmias, principalmente em quem já tem doenças cardiovasculares.
Embora infartos e AVCs sejam mais comuns em períodos de frio, estudos recentes mostram que ondas de calor prolongadas também elevam o risco desses eventos. Para o neurocirurgião Orlando Maia, do Hospital Quali Ipanema, o calor impõe um estresse adicional ao sistema cardiovascular. A combinação de desidratação, queda de pressão e alterações no ritmo cardíaco pode precipitar quadros graves.
Quem precisa de mais atenção
Os especialistas apontam que alguns grupos são mais vulneráveis aos efeitos do calor sobre o coração. Entre eles estão os idosos, que sentem menos sede e se desidratam com facilidade, pessoas com hipertensão, diabetes ou insuficiência cardíaca, quem já teve infarto ou AVC, além de atletas e trabalhadores expostos ao sol intenso.
Pacientes que usam diuréticos e medicamentos para controlar a pressão também precisam redobrar os cuidados, já que essas drogas favorecem a perda de líquidos e podem intensificar quedas de pressão. A orientação médica é não suspender nem ajustar a medicação sem orientação profissional.
Sinais de alerta e exercício físico
Desmaio, dor no peito, palpitações persistentes, falta de ar fora do habitual e confusão mental, especialmente em idosos, são sinais que exigem avaliação médica durante períodos de calor intenso. Mesmo quando os sintomas passam, alterações de pressão e do ritmo cardíaco não devem ser ignoradas.
Durante a prática de exercícios, o coração precisa irrigar os músculos e a pele ao mesmo tempo, o que aumenta a frequência cardíaca e a sensação de esforço. Em dias muito quentes, isso eleva o risco de exaustão térmica e arritmias. Por isso, médicos recomendam evitar os horários mais quentes, buscar sombra, fazer pausas e reforçar a hidratação, inclusive com reposição de eletrólitos quando o suor é intenso.
Além de beber água ao longo do dia, os especialistas orientam evitar álcool e excesso de cafeína, usar roupas leves, procurar ambientes ventilados ou climatizados e fugir do sol forte nos horários de pico. São medidas simples, mas fundamentais para proteger o coração em meio às altas temperaturas.




